Nível de reservatórios da Grande SP melhora, mas não alcança normalidade
A Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) – órgão da gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) – decidiu, na segunda-feira (9), manter a Gestão de Demanda Noturna (GDN) em 10 horas, das 19h às 5h, como medida preventiva para preservar os níveis dos reservatórios.
Embora o Sistema Integrado Metropolitano (SIM) esteja atualmente acima de 52% de armazenamento, o Sistema Cantareira — responsável por cerca de 50% do abastecimento da Grande São Paulo — apresenta cerca de 39% e teve recuperação abaixo do esperado durante o período de chuvas.
Diante da aproximação da estiagem, a Arsesp e a Agência SP Águas optaram por manter a redução de pressão no período noturno de 10 horas para preservar os níveis dos reservatórios.
SITUAÇÃO DOS RESERVATÓRIOS
Dados da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) mostram que em fevereiro o volume útil do Sistema Integrado Metropolitano (SIM) subiu de 35,6% para 52,6%. Essa melhora colocou os mananciais na faixa 2 de operação após quase cinco meses na faixa 3, mais restritiva. De acordo com o governo paulista, para confirmar a mudança, é preciso que o nível seja mantido por 14 dias. Na próxima segunda-feira (9), a Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) vai definir se o período de redução da pressão noturna vai ser diminuído de 10 horas para oito horas diária. A medida, prevista em plano de contingência, está em vigor desde agosto passado.
No bairro do Capão Redondo, na Zona Sul da capital, a falta de água virou assunto recorrente entre os moradores.
Cíntia Salvador do Monte, cuidadora: “A gente não tem outro papo a não ser da água que falta no bairro.”
Todas as noites, a Sabesp, concessionária responsável pelo abastecimento em São Paulo, reduz a pressão nos encanamentos de distribuição. Sem pressão, a água não chega a muitas casas em bairros mais altos. Segundo a companhia, a medida busca minimizar perdas em vazamentos subterrâneos e economizar água em um momento em que os reservatórios estão com níveis baixos.
Chuva ainda não recuperou os níveis dos reservatórios de água que abastecem a Grande SP
Enquanto soluções estruturais não avançam, comerciantes enfrentam prejuízos. A cabeleireira Luana Ezequiel Lemos afirma que precisa suspender o atendimento quando fica sem água no salão. “Sem a água, não trabalho. Às vezes eu peço água para o vizinho,” conta.
Em nota, a Sabesp informou que está investindo mais de R$ 5 bilhões em obras de segurança e resiliência hídrica na Região Metropolitana de São Paulo até o ano que vem.
Segundo a companhia, diante da pior estiagem dos últimos dez anos, foram adotadas medidas operacionais para preservar os mananciais, como a redução da pressão na rede durante a madrugada. A Sabesp afirma que, desde agosto do ano passado, a estratégia já permitiu economizar 103 bilhões de litros de água — volume suficiente para abastecer toda a Grande São Paulo por cerca de 20 dias.




