Israel mata líder do Hamas no Líbano e lança nova ofensiva em Gaza
Os soldados “autorizam a evacuação dos civis da zona de combate por vias organizadas para garantir sua segurança”
O exército israelense iniciou uma nova ofensiva terrestre nesta sexta-feira (4/4) em Gaza, intensificando suas operações no território palestino, que resultaram na morte de pelo menos 30 pessoas, segundo a Defesa Civil.
As operações ocorreram após o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, prometer aumentar a pressão militar sobre o movimento islâmico Hamas para garantir a libertação dos reféns. No Líbano, Israel anunciou ter matado um “comandante” do Hamas, Hassan Farhat.
Nas últimas horas, as forças israelenses iniciaram operações terrestres em Shujaiya, um bairro de Gaza, “para expandir a zona de segurança”, informou o exército, referindo-se à área de proteção que foi estabelecida dentro da Faixa de Gaza, na fronteira com Israel e com o Egito.
“Como parte dessa operação, os soldados eliminaram diversos terroristas e desmontaram infraestrutura do Hamas”, acrescentou o exército em um comunicado.
Os soldados “autorizam a evacuação dos civis da zona de combate por vias organizadas para garantir sua segurança”, afirmou o exército israelense.
De acordo com a Defesa Civil em Gaza, pelo menos 30 palestinos foram mortos nas operações israelenses desde o amanhecer.
Após dois meses de trégua no conflito em Gaza e várias semanas de negociações frustradas sobre como estendê-la, Israel retomou em 18 de março seus bombardeios aéreos seguidos de operações terrestres na devastada e sitiada Faixa de Gaza. O governo de Netanyahu afirma que a pressão militar é a única maneira de forçar o Hamas a liberar os cerca de 60 reféns, vivos ou mortos, que ainda mantém.
A guerra em Gaza teve início com um ataque realizado pelo Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023. O ataque resultou na morte de 1.218 pessoas do lado israelense, em sua maioria civis. Das 251 pessoas sequestradas durante o ataque, 58 ainda estão como reféns em Gaza, das quais 34 já morreram, conforme informado pelo exército.
Israel jurou destruir o Hamas, que assumiu o controle de Gaza em 2007, e iniciou uma ofensiva devastadora no território palestino, na qual pelo menos 50.523 pessoas foram mortas, em sua maioria civis, conforme dados do Ministério da Saúde do Hamas, considerados confiáveis pela ONU.
“Estamos fragmentando a Faixa de Gaza e aumentando a pressão gradualmente, para que devolvam nossos reféns”, disse Netanyahu na quarta-feira (2/4).
Quase todos os 2,4 milhões de habitantes de Gaza foram deslocados devido aos combates, com dezenas de milhares buscando abrigo em escolas, hospitais ou outros edifícios públicos.
Israel, que visou centros onde esses deslocados estão abrigados, acusa o Hamas de usar esses edifícios para fins militares. O Hamas nega.
No Líbano, o exército israelense anunciou ter matado um “comandante” do Hamas, Hassan Farhat, em um ataque em Saida (sul). Segundo o exército, Hassan Farhat “orquestrou vários ataques terroristas contra civis israelenses e soldados” desde o início da guerra em Gaza.
As Brigadas Ezzedine al-Qassam, ala militar do movimento islamista palestino Hamas, confirmaram a morte de seu comandante, Hassan Farhat, e de seu filho, também membro das Brigadas, no ataque. A filha de Hassan Farhat também morreu, conforme informaram as Brigadas em comunicado.
Em Saida, o um apartamento, no quarto andar de um prédio, foi destruído e em chamas.
Na Síria, o exército israelense também intensificou seus ataques nos últimos dias e realizou uma incursão terrestre no sul do território sírio visando, especialmente, bases e um aeroporto militares.
As autoridades sírias condenaram “uma tentativa premeditada de desestabilizar” o país.
O ministro israelense da Defesa, Israel Katz, advertiu nessa quinta o presidente sírio interino, Ahmad al-Chareh, de que o país pagaria um “alto preço” se a segurança de Israel fosse ameaçada.