Uma despedida conjunta marca a tragédia. Em Novo Hamburgo (RS) — O casal Débora Juliana Reinheimer Marques, Neila Patrícia Gomes de Medina e a filha Cecília Marques de Medina, de apenas 1 ano, morreram em um grave acidente de trânsito ocorrido na BR-116, nesta quinta-feira (14), abalando profundamente familiares, amigos e a comunidade da Região Metropolitana de Porto Alegre.

Segundo informações confirmadas pela Polícia Rodoviária Federal e detalhadas pela Polícia Civil, o acidente aconteceu quando o carro em que a família estava tentou acessar o bairro Roselândia e colidiu frontalmente com um caminhão, que trafegava na pista contrária. O impacto foi tão intenso que Débora e Neila morreram no local, enquanto Cecília, socorrida com vida, não resistiu aos ferimentos e faleceu no hospital poucas horas depois.

O velório está marcado para esta sexta-feira, a partir das 2h, na Capela Ecumênica de Novo Hamburgo. O sepultamento das três será realizado no mesmo local às 15h, em uma cerimônia que promete reunir centenas de pessoas comovidas pela extensão da tragédia, que rapidamente ganhou destaque na imprensa regional e nas redes sociais.

Ao longo da sexta-feira, familiares emitiram notas de profundo pesar pelo falecimento das vítimas, ressaltando a dedicação das mulheres à filha e aos negócios. Mensagens de solidariedade vieram de diversos bairros de Novo Hamburgo e também de cidades vizinhas, como São Leopoldo, onde parte da família residia e desenvolvia atividades profissionais.

O que as investigações apontam sobre o acidente em Novo Hamburgo?

As investigações do acidente que resultou na morte da família avançam sob responsabilidade da Polícia Civil do Rio Grande do Sul. Conforme o delegado Alexandre Quintão, da 3ª DP de Novo Hamburgo, imagens de uma câmera instalada no caminhão envolvido na colisão foram anexadas ao inquérito. O vídeo, divulgado nesta sexta, mostra o instante em que o veículo das vítimas invade a pista contrária para tentar acessar o bairro Roselândia e acaba atingido violentamente pelo caminhão, que transportava um cavalo-trator e semirreboque.

O motorista do caminhão, cuja identidade não foi divulgada oficialmente, foi encaminhado à Delegacia de Pronto-Atendimento (DPPA) para prestar depoimento e realizar o teste do bafômetro. O resultado foi negativo para o consumo de álcool, e ele foi liberado após ser ouvido. Relatos iniciais indicam que ele ainda tentou desviar da colisão, mas não conseguiu evitar o forte impacto.

Conforme informações da Polícia Rodoviária Federal do Rio Grande do Sul, o trecho da BR-116 onde ocorreu o acidente é considerado crítico devido ao grande fluxo de veículos pesados e à proximidade de acessos a bairros residenciais. A perícia esteve presente durante toda a madrugada para apurar minuciosamente as circunstâncias da colisão. O trânsito na região foi parcialmente interditado até as 6h desta sexta-feira para remoção de destroços e levantamento dos dados pela equipe técnica.

Como era a rotina da família e qual a reação da comunidade de Novo Hamburgo?

Débora, natural de Novo Hamburgo, e Neila, nascida em São Leopoldo, eram conhecidas por suas trajetórias de empreendedorismo e dedicação à família. Juntas, elas administravam a casa de festas “Délle”, referência em eventos infantis na região. O espaço, fundado em 2017, tornou-se um dos pontos de encontro favoritos das famílias locais, com áreas de lazer que incluíam campo de futebol, brinquedos interativos e piscina de bolinhas. Segundo relatos de clientes e amigos, a casa de festas também era reconhecida por ações beneficentes, organizando eventos solidários para crianças carentes das cidades vizinhas.

A dedicação das duas ao negócio e à maternidade era motivo de inspiração para outras empreendedoras locais, sobretudo porque o casal levava campanhas de inclusão e diversidade às festas promovidas. Cecília, filha única, era descrita pelas mães como “o grande amor” da família e a principal razão de seu empenho em proporcionar momentos felizes a outras crianças, conforme depoimentos publicados nas redes sociais da Dellé.

Moradores e empresários da região lamentaram, em depoimentos ao Diário do Estado, a perda de Débora, Neila e Cecília. A comunidade de Porto Alegre e Novo Hamburgo permanece em estado de choque, já que acidentes fatais envolvendo famílias inteiras são considerados raros no município, que conta com índices mais baixos de letalidade no trânsito se comparado a outros municípios do Vale dos Sinos.

Nesta sexta-feira, o movimento entre administradores e funcionários do espaço Dellé foi de consternação. A equipe informou que entrará em contato com clientes que tinham eventos agendados para os próximos dias, pedindo compreensão durante o luto. O comunicado enfatiza ainda o sentimento de união e a preocupação com a memória das fundadoras.

Por que a tragédia na BR-116 mobilizou autoridades do Rio Grande do Sul?

Para a redação do Diário do Estado, este caso evidencia não apenas a vulnerabilidade de famílias nas estradas urbanas, mas também destaca falhas em pontos críticos de acesso da BR-116, uma das rodovias mais movimentadas do Rio Grande do Sul. A via já registrou outros acidentes graves, mas a morte de uma família inteira de empreendedoras públicas e reconhecidas gerou mobilização de políticos e lideranças civis. O prefeito de Novo Hamburgo emitiu nota de solidariedade e cobrou do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) uma revisão das condições de segurança dos trechos urbanos da rodovia.

De acordo com especialistas em trânsito consultados pela redação, o acesso ao bairro Roselândia já era apontado como perigoso por apresentar tráfego intenso e poucos mecanismos para travessia segura de veículos. Segundo dados do portal da transparência do Departamento de Trânsito do RS, enquanto o município teve 2 acidentes com óbitos no mesmo trecho em 2023, este foi o primeiro registro com vítimas de uma mesma família em 5 anos.

No Estado, segundo informações da Justiça Estadual, campanhas educativas e obras de readequação estão em andamento para mitigar tragédias semelhantes, mas a situação no bairro Roselândia e nos acessos emergenciais à BR-116, próximo ao trecho do acidente, ainda requer atenção maior das autoridades federais.

O que muda para as investigações de acidentes em Novo Hamburgo após o caso?

A equipe de jornalismo do Diário do Estado apurou que a tragédia envolvendo o casal e sua filha deve servir de impulso para fortalecer o debate sobre prevenção de acidentes em regiões urbanas do estado. Órgãos de segurança reforçam que a tríplice fatalidade em Novo Hamburgo é um evento atípico, mas que não pode ser ignorado pelos gestores de trânsito. A Polícia Civil propôs intensificar fiscalizações em horários de maior movimento e criar campanhas preventivas, especialmente voltadas para famílias que utilizam a rodovia para deslocamentos diários.

Investigações similares já resultaram, em outros municípios, em mudanças importantes de sinalização e instalação de lombadas eletrônicas. Em Novo Hamburgo, associações de moradores do bairro Roselândia protocolaram ofícios reivindicando a implantação de rotatórias, sinalização mais clara e iluminação reforçada na BR-116, aguardando posicionamento do DNIT e do poder municipal para os próximos meses.

De acordo com o especialista em segurança pública consultado pela nossa redação, “acidentes com múltiplas vítimas em vias federais urbanas são um chamado urgente para modernização das rotas e maior integração entre Polícia Rodoviária Federal, municípios e sociedade civil”. Ele destaca que tragédias como esta têm potencial para impulsionar mudanças que poderão salvar vidas no futuro, principalmente por envolver vítimas com grande visibilidade local.

O Diário do Estado identificou ainda que, apesar de campanhas regulares de fiscalização, faltam mecanismos automatizados de controle de velocidade e projetos de travessias inteligentes no trecho próximo ao bairro Roselândia, diferentemente de cidades maiores da região metropolitana como Canoas e Esteio. A discussão sobre investimentos em infraestrutura de segurança viária volta a ganhar prioridade dentro dos conselhos municipais e estaduais.

Nossa reportagem esteve presente no velório e conversou com amigos, familiares e membros da comunidade, que destacaram a importância do legado deixado por Débora e Neila na área de eventos e mobilização social. O Diário do Estado segue no local e manterá a sociedade informada sobre as atualizações do caso e eventuais mudanças estruturais nas principais vias da região.