Jornal Diário do Estado

“Novo” vírus da dengue ressurge no Brasil após 15 anos

Baixa imunidade da população e risco de complicações preocupa especialistas. Brasil já registrou casos de dengue, em Roraima e no Paraná

A confirmação de quatro casos de um “novo” vírus causador da dengue preocupa especialistas. A doença causada pelo sorotipo 3 não era registrada há 15 anos, de acordo com pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). É mais um alerta para a necessidade de eliminar criadouros do mosquito Aedes Aegypti, que também transmite a zika e chikungunya.

 

“Nesse estudo, fizemos a caracterização genética dos casos de infecção pelo sorotipo 3 do vírus dengue. É um indicativo de que poderemos voltar a ter, talvez não agora, mas nos próximos meses ou anos, epidemias causadas por esse sorotipo”, detalha o pesquisador da Fiocruz Amazônia e do Laboratório de Arbovírus e Vírus Hemorrágicos do Instituto Oswaldo Cruz (IOC), Felipe Naveca. 

 

Especialistas reconhecem que a ausência de contato da população com essa cepa aumenta o risco de casos e também de gravidade. As complicações são mais suscetíveis entre as pessoas com histórico de dengue. O vírus da dengue tem quatro sorotipos conhecidos pelos cientistas e a infecção por um gera a imunidade somente para a variante em questão. 

 

O responsável pelos novos casos já havia sido identificado na América Central  e nos Estados Unidos. O microorganismo é resultado de uma introdução do genótipo III do sorotipo 3, que circula nas Américas. Dos quatro casos confirmados, um foi importado no Suriname. Em 2023, a maioria dos casos de dengue em Goiás se concentram em Caldas Novas. Ações pontuais e conjuntas da Secretaria Estadual de Saúde (SES-GO) resultaram em redução de 70% dos casos em comparação ao mesmo período do ano passado. 

 

A epidemia da doença em 2023 concedeu ao estado a maior taxa de incidência da doença no Brasil. O Ministério da Saúde divulgou um balanço alarmante em relação aos quatro primeiros meses de 2023. A alta identificada motivou o lançamento de uma campanha nacional de controle da dengue, zika e chikungunya. Técnicos da pasta associam a ascensão dessas doenças à variação do clima que propicia mais criadouros do inseto, mobilidade das pessoas e questões demográficas, sociais e econômicas.

 

Prevenção

A dengue é uma doença infecciosa que depende do controle da proliferação no ambiente. A limpeza para eliminação de criadouros com água nos pátios e quintais das residências e a aplicação de inseticida nos municípios são algumas das medidas necessárias. Para a proteção individual, o uso de repelentes e mosquiteiros são indicados. A vacina QDenga foi aprovada neste mês pela Anvisa, mas deve estar disponível a rede particular somente a partir do segundo semestre de 2023 e pode ser incluída no calendário nacional do Ministério da Saúde.