A trama golpista envolvendo o ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), teve um desfecho surpreendente. Em votação, Nunes Marques se posicionou contra o afastamento dos ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Flávio Dino da análise de uma denúncia contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e outras 33 pessoas acusadas de tentativa de golpe. Além disso, o ministro também votou contra a análise do caso em plenário, mantendo, assim, o julgamento na Primeira Turma.
O voto de Nunes Marques era aguardado, pois ele foi indicado por Bolsonaro para ocupar o cargo na Corte. Com a posição do ministro, o STF já conta com maioria para rejeitar quatro recursos analisados em plenário virtual. Resta agora o voto de André Mendonça para completar o julgamento das ações.
Luís Roberto Barroso foi o primeiro a votar nas quatro ações em plenário virtual. O magistrado considerou que os pedidos não deviam prosperar e foi acompanhado por outros sete ministros em todas as ações. Os votos dos ministros mostram uma tendência de rejeição dos pedidos de afastamento de Dino e Zanin, assim como a suspeição de Moraes.
Os recursos apresentados por Jair Bolsonaro, Braga Netto e Mario Fernandes questionavam a participação dos ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes no caso. As análises ocorrem em diversas Arguições de Impedimento e de Suspeição. Barroso, responsável pelas decisões, negou os pedidos de afastamento dos três ministros no fim de fevereiro.
A defesa de Bolsonaro contestou as decisões, mas o presidente do STF explicou que os fatos descritos não se encaixam nas hipóteses estabelecidas pelo Código de Processo Penal. Barroso destacou que a atuação dos ministros dentro de suas funções não configura impedimento. Com isso, os recursos contra essas decisões serão analisados pela Corte.
Além disso, Barroso também rejeitou o pedido do general Walter Braga Netto de impugnação do ministro Alexandre de Moraes. Segundo o presidente do STF, o pedido foi feito fora do prazo regimental e os argumentos da defesa não justificam a suspeição do ministro. A votação em plenário virtual permite aos ministros decidirem sobre os recursos depositando seus votos no sistema do STF, sem a necessidade de debate entre eles. Caso ocorra pedido de vista ou destaque, o julgamento pode ser transferido para o plenário físico.
Os 34 denunciados pelo procurador-geral da República enfrentam acusações graves, como golpe de Estado e organização criminosa armada. A trama golpista ainda aguarda desdobramentos no STF, enquanto as decisões dos ministros continuam a gerar repercussão no cenário político nacional. Enquanto isso, a sociedade acompanha atentamente as movimentações no Supremo Tribunal Federal sobre esse caso delicado.