“O Agente Secreto”: curiosidades das locações em Recife e o sucesso no Oscar 2026

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No domingo, “O Agente Secreto” concorre ao Oscar em 4 categorias; uma delas é
nova, Melhor Seleção de Elenco

Ruas, prédios históricos, parques e praças do Recife aparecem como cenário de “O
Agente Secreto”, produção dirigida por Kleber Mendonça Filho e estrelada por
Wagner Moura. Gravado em quase 50 pontos da capital pernambucana, o filme
transforma a cidade em vitrine e projeta para plateias de diferentes países a
paixão pelo cinema feito em Pernambuco.

Entre os cenários do longa está o Cinema São Luiz, um dos cinemas de rua mais
icônicos do país, inaugurado em 1952 no Centro da cidade. O prédio histórico
aparece em várias cenas do filme e hoje recebe sessões da própria produção — uma
experiência curiosa para o público, que assiste na tela a um espaço onde está
sentado.

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“O Agente Secreto” recebeu quatro indicações ao Oscar: melhor ator, melhor
filme, melhor filme internacional e melhor elenco. O longa também fez história
ao ganhar dois prêmios no Globo de Ouro deste ano e dois prêmios no Festival de Cannes de 2025.

**O Recife de 1977 reconstituído por ‘O Agente Secreto’ — Foto: CinemaScopio/Divulgação**

No São Luiz, o cinema não apenas exibe o longa-metragem. Ele também aparece
dentro da narrativa, transformando o próprio espaço em parte da história. Quando
o público entra na sala, muitos têm a sensação de se reconhecer na tela.

A relação entre o espaço e o filme começa antes mesmo da sessão. As luzes se
apagam, os vitrais do cinema se acendem e, naquele momento, o ritual tradicional
do cinema de rua prepara a plateia para uma história que tem muito da própria
cidade.

O gestor do cinema, Gustavo Coimbra, conhece esse ritual desde criança. Ele
lembra das idas ao São Luiz com a família, quando assistir a um filme era também
participar de uma tradição.

**Cinema São Luiz em ‘O Agente Secreto’ — Foto: CinemaScopio/Divulgação**

Segundo ele, a mãe fazia questão de chegar cedo para acompanhar todo o processo
da sessão. “Minha mãe tinha uma preocupação de a gente sair na hora certinha,
tudo direitinho, para ver o ritual: as luzes apagando, os vitrais acendendo.

Hoje, Gustavo está do outro lado da experiência. É ele quem acende os vitrais do
cinema antes das sessões.

Subtítulo 1

João Bosco, projecionista do Cinema São Luiz, atuou em ‘O Agente Secreto’ —
Foto: Reprodução/TV Globo

Quem também acompanha esse movimento é o projecionista João Bosco, um dos mais
antigos do cinema. Ele afirma que percebeu uma mudança no público desde a
estreia do longa. “O público já estava com aquilo na mente, que o cinema estava afracando, mas quando chegou ‘O Agente Secreto’, lotou de novo”,
conta.

Em “O Agente Secreto”, Seu Alexandre, sogro do protagonista, trabalha como
projecionista no São Luiz. Bosco também participou do filme, ainda que
rapidamente, e conta que chegou a passar informações a Carlos Francisco, que
interpreta o personagem.

Eu apareci no filme como porteiro, numa cena. Rapidamente, mas apareci no
filme”, diz. Acostumado a trabalhar nos bastidores da projeção, ele afirma que a
experiência foi diferente.

Subtítulo 2

TRADIÇÃO QUE ATRAVESSA UM SÉCULO

Cartazes dos filmes ‘A Filha do Advogado’, ‘Baile Perfumado’ e ‘Amarelo
Manga’ — Foto: Montagem/g1

Nos últimos anos, filmes de Kleber Mendonça Filho também reforçaram a ligação
entre cidade e narrativa, como “Aquarius”, “Bacurau” e “Retratos Fantasmas”.
Entretanto, a relação entre o Recife e o cinema não começou agora.

Um dos primeiros filmes feitos na cidade foi “A Filha do Advogado”, dirigido por
Jota Soares há exatos 100 anos, em 1926. Nas décadas seguintes, outras produções
também usaram histórias e cenários da região, como “Amarelo Manga” (de 2002,
dirigido por Cláudio Assis) e “Cinema, Aspirinas e Urubus” (2005, de Marcelo
Gomes).

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**O Recife de 1977 reconstituído por ‘O Agente Secreto’ — Foto:

Mas Pernambuco tem uma das cinematografias regionais mais antigas e consistentes
do Brasil, marcada por diferentes ciclos de produção e por uma forte relação
entre cinema, cidade e cultura local.

O cinema chegou ao estado poucos meses depois das primeiras projeções públicas
realizadas pelos Auguste Lumière e Louis Lumière em Paris, consideradas o marco
inicial da história da sétima arte. Em 13 de setembro de 1896, o produtor
Francisco Pereira de Lyra exibiu imagens em movimento usando um aparelho chamado
kinetographo, no bairro de São José, no Recife.

Poucos anos depois, o cinema começou a ganhar espaços permanentes na cidade, com
os cinemas Pathé — o primeiro de todos — inaugurado em 1909 e Helvética,
Eclypse, Polytheama, Éclair e Moderno.

E, desde o início do século 20, o Recife …

Subtítulo 3

O RECIFE COMO PERSONAGEM

Imagem em ‘Retratos fantasmas’ — Foto: Divulgação

Enquanto o público local reconhece lugares da cidade na tela, o filme também
apresenta o Recife para espectadores de outros países. Em entrevista em Londres,
durante a agenda internacional de divulgação do filme, Kleber Mendonça Filho
falou sobre a importância de um país contar suas próprias histórias por meio do
cinema.

“O cinema, claro, a televisão, as séries, é uma maneira muito forte e poderosa
de contar histórias. E é essencial que um país, no nosso caso o Brasil, consiga
se ver, se ouvir e ver histórias que você diga: isso aqui faz parte de quem
somos”, afirmou.

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