Nas redes sociais, Gleisi Hoffmann, ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais do governo, publicou: “O que será mesmo que o bolsonarista Valdemar [Costa Neto] do PL quer investigar sobre o Master numa CPI? A corrupção de dirigentes do BC nomeados por Bolsonaro nas mutretas de Vorcaro? A responsabilidade do governador bolsonarista Ibaneis [Rocha, do DF] na compra de papéis podres do Master pelo BRB?“. Numa entrevista posterior, a ex-presidente do PT acrescentou: “Me parece que há muito mais explicações a serem dadas pela oposição do que pelo governo“.
Lindbergh Farias, líder do PT na Câmara, também tentou emplacar a tese nas redes sociais: “O Nikolas [Ferreira, do PL-MG] tinha uma proximidade muito grande com o Vorcaro, com a família Vorcaro. Tanto é que ele está no celular do Vorcaro“. Em outra declaração, disse que “o Vorcaro surge da Igreja Lagoinha, aquela do Nikolas, do Valadão. O cunhado dele, aquele Fabiano Zettel, foi o maior doador individual da campanha tanto do Tarcísio quanto do Bolsonaro“.
Fabiano Zettel, pastor da Igreja da Lagoinha e cunhado de Vorcaro, foi o maior doador individual da campanha de Bolsonaro em 2022, com R$ 3 milhões, e doou mais R$ 2 milhões para Tarcísio de Freitas. Nikolas Ferreira pegou carona em jatos de Vorcaro, mas nega que soubesse quem era o dono.
Diversos influenciadores de esquerda, muitos disfarçados de analistas, cometeram artigos furibundos em que diziam que “o escândalo do Master é de direita“. Quando você lê (ossos do ofício, infelizmente), a argumentação é uma mistura pouco inspirada do que disseram Gleisi e Lindbergh com uma lista de políticos do centrão, estes claramente enrolados até o pescoço nas investigações.
Para a esquerda mais radical e ideológica, “centrão” é sinônimo de direita. Não é.
O grupo conhecido como centrão ganhou o epíteto na Assembleia Constituinte de 1987. Eram parlamentares fisiológicos, normalmente eleitos em grotões, sem cores políticas definidas, que lutavam por emendas, cargos e verbas públicas para seus interesses paroquiais. O grupo também atuava como um colchão entre os lados mais radicais da política.
Entra governo, sai governo, o centrão está grudado no poder, como cracas no casco de navios.
Desde então, o bloco esteve na base de todos os governos da redemocratização: Collor/Itamar, FHC, Lula, Dilma, Temer, Bolsonaro e Lula de novo. Nenhuma exceção. Aliado hoje, oposicionista amanhã, sempre ao sabor do vento político.
Gilberto Kassab, presidente do PSD e um dos principais operadores do time, definiu a “ideologia” de seu partido como “nem de esquerda, nem de direita, nem de centro“. Seu partido tem de bolsonaristas a lulistas, tem três pré-candidatos à presidência e, na prática, não tem nenhum.
O centrão muda para não mudar.
Se vê como o adulto na sala, que entra como moderador quando os emocionados saem do controle e atrapalham os negócios. Quando Dilma afundou a economia brasileira, o centrão entrou em campo, articulou o impeachment e completou seu mandato, arrumando a bagunça deixada pela economista e “mãe do PAC”, de triste lembrança.




