Carne Fraca: diretor de presídio em SC se envolve com mulher de detento e é preso por corrupção
A ação foi batizada de Carne Fraca por remeter ao conjunto de vantagens indevidas envolvendo os suspeitos, especialmente à entrega reiterada de carnes nobres ao agente público.
O diretor do Presídio Masculino de Lages, maior cidade da Serra de Santa Catarina, foi preso nesta quinta-feira (26) suspeito de corrupção. Segundo o Ministério Público do Estado (MPSC), ele é investigado por estabelecer uma relação pessoal e funcional com a companheira de um preso, intervindo, de maneira reiterada e informal, em procedimentos ligados à execução penal.
A prisão de caráter preventivo ocorreu por meio da operação Carne Fraca. O nome da ação foi escolhido por remeter ao conjunto de vantagens indevidas envolvendo os suspeitos, especialmente à entrega reiterada de carnes nobres ao agente público.
“A denominação também remete, simbolicamente, à fragilidade ética evidenciada nas condutas apuradas, nas quais a função pública teria sido vulnerabilizada por interesses privados”, informou o Ministério Público.
O órgão reiterou que as vantagens oferecidas “integrariam um contexto contínuo de troca, no qual benefícios administrativos eram seguidos de vantagens materiais e pessoais”, caracterizando relação estável de reciprocidade e a utilização da função pública para atender interesses privados.
Além de corrupção, o MP apura os crimes de violação do sigilo funcional e advocacia administrativa. No total, foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão em locais relacionados aos fatos investigados.
O nome do diretor, que é policial penal, não foi informado e, por isso, o DE não teve acesso à defesa dele. Procurada, a Secretaria de Estado de Justiça e Reintegração Social (SEJURI) afirmou que o servidor foi afastado das funções.
“Paralelamente, a secretaria está instaurando uma Comissão de Intervenção Prisional Administrativa (CIPA) no Presídio Masculino de Lages, com o objetivo de investigar demais áreas da administração da unidade e assegurar o fiel cumprimento das normas e protocolos institucionais” (íntegra no fim do texto).
As investigações tramitam em sigilo, conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) e pelo Grupo Especial Anticorrupção (GEAC), que reúnem membros do MP e das forças de segurança.




