CAMPINAS (SP) — Uma operação conjunta da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo (MPSP) cumpre 11 mandados de busca e apreensão na manhã desta quarta-feira (3) contra o vereador Vini Oliveira (Cidadania), de Campinas, suspeito de envolvimento em desvio de verba pública após uma reunião registrada em vídeo. A ação, que movimenta a política local de SÃO PAULO, também atinge assessores do parlamentar e empresários do setor de transportes.

De acordo com os investigadores, a apuração começou com a divulgação de imagens de câmeras de segurança que mostram um encontro ocorrido em 1º de abril deste ano, menos de um mês após o leilão da concessão do transporte público municipal. Nas gravações, Vini Oliveira e outras pessoas aparecem em uma reunião na sede de uma empresa de transportes de passageiros em Paulínia. Ao final do encontro, envelopes são colocados em uma caixa preta, que depois é entregue a um acompanhante do vereador. A polícia afirma que as imagens revelaram “possíveis irregularidades em uma licitação pública”.

Investigação foca em reunião suspeita e entrega de envelopes

Com base nas provas já reunidas, a Justiça expediu os mandados. Os participantes da reunião são alvo de investigação para verificar a suspeita de recebimento de valores supostamente desviados do setor público. Durante o cumprimento das ordens judiciais, foram apreendidos documentos, anotações, pen-drives, dinheiro em espécie, celulares e outros dispositivos, que serão analisados. A operação é conduzida em conjunto com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e o Núcleo Especializado de Combate à Criminalidade Organizada e à Lavagem de Dinheiro (Neccold).

Segundo informações apuradas por veículos de imprensa locais, sete pessoas são formalmente investigadas: o vereador Vini Oliveira; assessores dele; o dono de uma empresa de transporte; e filhos desse empresário. Os mandados foram cumpridos em endereços ligados ao parlamentar, incluindo residências, escritórios, o gabinete na Câmara Municipal e também em empresas envolvidas na apuração. Em Paulínia, um dos alvos foi a sede da transportadora onde ocorreu a reunião gravada.

Câmara Municipal abre comissão processante contra Vini Oliveira

A repercussão do vídeo levou a Câmara Municipal a abrir, na segunda-feira (1º), uma Comissão Processante (CP) para investigar suposta improbidade administrativa do vereador. O pedido foi aprovado por unanimidade entre os 29 vereadores presentes. Foram sorteados para compor a CP os vereadores Otto Alejandro (PL), como relator, Paulo Haddad (PSD), como presidente, e Dr. Yanko (PP). Se a apuração concluir pela irregularidade, Vini Oliveira pode ter o mandato cassado.

Antes da sessão, a equipe do vereador informou que ele estava internado e impossibilitado de comparecer ao Plenário por razões de saúde. Em nota, a assessoria do parlamentar declarou que, por enquanto, não vai se manifestar sobre a operação policial.

Conforme o regimento interno da Câmara, o presidente da CP notificará o denunciado para apresentar defesa prévia por escrito em dez dias. Depois, a comissão terá mais cinco dias para emitir parecer, opinando pelo prosseguimento ou arquivamento da denúncia. Se o parecer indicar continuidade, a instrução será iniciada com diligências, audiências e depoimentos. A Comissão tem prazo inicial de 90 dias para concluir os trabalhos e apresentar relatório final, que pode recomendar o arquivamento ou a cassação do mandato. Para que a cassação seja efetivada, será necessário o voto favorável de pelo menos dois terços dos 33 vereadores.