Os documentos de clientes descartados de forma irregular em uma área verde de Mongaguá (SP) pertencem à Cooperativa Habitacional Coohabitare, e parte deles está vinculada a processo administrativo com a Prefeitura de Limeira (SP), de 2018. A informação foi confirmada pela administração municipal nesta segunda-feira (16).
Segundo a Prefeitura de Limeira, o episódio chama atenção pela natureza da documentação envolvida, que inclui registros de loteamento, dados técnicos de empreendimentos e documentos pessoais. Esses materiais, conforme a administração municipal, exigem controle rigoroso de guarda e destinação.
A prefeitura informou que encaminhará o caso ao Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) para apuração, “uma vez que o material pode ter sido extraviado ou descartado intencionalmente para ocultar possíveis provas de crimes”.
Descarte de documentos em Mongaguá
De acordo com a Prefeitura de Mongaguá, entre os materiais encontrados havia cópias de cheques, documentos pessoais, contratos, plantas, documentos públicos e comprovantes de residência. O volume total recolhido foi estimado em aproximadamente 40 kg de documentação, com datas variadas, desde 2018 até novembro de 2025.
Os documentos estavam soltos e guardados em pastas, muitas delas já danificadas, apresentando sinais de umidade, manchas e desgaste.
Reações e investigações
O g1 entrou em contato com a Cooperativa Habitacional Coohabitare e com o ex-prefeito Mário Botion, sem obter retorno até o momento. A Prefeitura de Limeira notificou o Ministério Público sobre o ocorrido, enquanto a Prefeitura de Mongaguá multou a cooperativa em R$ 11 mil por descarte irregular. O MP ainda não recebeu representação sobre o episódio.
Histórico e desdobramentos
A Cooperativa Habitacional Coohabitare enfrenta 25 processos no Foro de Americana, no Foro de Limeira e no Foro de Santa Bárbara d’Oeste. A maioria das ações envolve pedidos de rescisão de contrato e devolução de valores. Em 2015, a Prefeitura de Limeira pediu ao MP a abertura de um inquérito sobre as transações da cooperativa.
A gravidade do descarte irregular dos documentos implica crime ambiental e violação da Lei Geral de Proteção de Dados. A situação levanta dúvidas sobre a origem e destino da documentação, enquanto autoridades buscam esclarecer as circunstâncias do ocorrido.



