Operação mira fraudes em licitações na Prefeitura de SP: Exoneração após descoberta de dinheiro escondido e influenciadora digital envolvida.

Operação mira fraudes em licitações na Prefeitura de SP: Exoneração após descoberta de dinheiro escondido e influenciadora digital envolvida.

SÃO PAULO (SP) — Dois ex-servidores da Prefeitura de São Paulo foram alvos de buscas nesta terça-feira (7) suspeitos de fraudar licitações milionárias. Na casa de um deles, a polícia encontrou R$ 151 mil e US$ 3 mil em espécie guardados dentro de um armário. No outro endereço, o dinheiro estava escondido em um cofre no forro do teto. As apreensões aconteceram durante a Operação Ar Frio, deflagrada pelo Gaeco do Ministério Público.

As investigações apontam que os ex-funcionários públicos atuavam para direcionar processos licitatórios em favor de empresas e grupos previamente ajustados, em troca de vantagens indevidas. Um dos suspeitos trabalhava na Secretaria Municipal de Infraestrutura e Obras. O outro era coordenador de licitações da Secretaria Municipal das Subprefeituras. Ambos foram exonerados em março deste ano, assim que a prefeitura tomou conhecimento das irregularidades.

O caso ganhou ainda mais peso porque a licitação principal sob suspeita envolve a compra de sistemas de ar condicionado no valor de SÃO PAULO R$ 1 bilhão. O processo chegou a ser suspenso e só foi retomado após a exoneração dos servidores. Agora, o MP também investiga se eles recebiam propina e se o patrimônio declarado é compatível com os rendimentos oficiais.

Dinheiro escondido em armário e no forro do teto

Na casa de um dos ex-servidores, os agentes apreenderam R$ 151 mil e US$ 3 mil em espécie. O suspeito alegou que o valor era proveniente de vendas feitas pela esposa, influenciadora digital. Já no outro endereço, foram encontrados R$ 8 mil e US$ 1 mil. A moeda estrangeira estava dentro de um cofre instalado no forro do teto — um local incomum que chamou a atenção dos policiais.

De acordo com os promotores, os valores são incompatíveis com os rendimentos formalmente declarados pelos investigados. Há indícios de que eles adquiriram imóveis, veículos e outros bens por meio de interpostas pessoas. Isso pode configurar, em tese, ocultação de patrimônio de origem ilícita.

As buscas ocorreram na capital e na região metropolitana. Celulares, tablets, computadores e pendrives foram recolhidos, assim como grande quantidade de dinheiro em espécie. O objetivo é aprofundar as investigações e coletar documentos que possam embasar novas denúncias.

Prefeitura agiu antes da operação do MP

A administração municipal informou à imprensa que, em março, não só exonerou preventivamente seis servidores como também levou a denúncia ao Ministério Público. “A Prefeitura reforça que não compactua com desvios de conduta ou qualquer tipo de irregularidade. O compromisso da administração é com a ética, a transparência e o respeito ao dinheiro público”, diz a nota oficial.

O MP recebeu a denúncia em fevereiro. As irregularidades teriam ocorrido entre 2022 e 2025. As condutas investigadas podem se enquadrar nos crimes de corrupção, fraude em licitações e lavagem de capitais. A Operação Ar Frio segue em andamento, e novas fases não estão descartadas.

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