Bitcoin, um ator indesejado na economia global

Por Rodrigo Soeiro

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Por Rodrigo Soeiro

O império financeiro concentrado na mão dos poucos abastados permeia a história da humanidade desde sempre. E essa concentração se mantém até hoje, cercada por uma série de meandros legais que, em sua maioria, são recursos protecionistas maquiados de segurança do usuário.

Esse não é um “privilégio” brasileiro, mas um problema global. O que difere o Brasil dos demais países é a altíssima concentração de poder em cinco grandes bancos, algo raro no mundo e extremamente nocivo para a população.

Um exemplo claro desta “maquiagem protecionista” foi o efeito pandemia. As fintechs ofereceram condições mais vantajosas e critérios mais acessíveis para a oferta de crédito à grande massa da população num momento tão delicado.

O natural seria esperar que esse acesso fosse provido pelos grandes bancos, certo? Errado, é a descentralização do mercado que propicia acesso, enquanto a principal coisa obtida pela concentração do mercado é o controle.

A criptoeconomia, por sua vez, oferece exatamente esses fatores, tão benéficos aos consumidores: maior acesso e controle descentralizado.

Para entender o potencial embarcado na criptoeconomia é muito importante se desvencilhar de artigos e matérias superficiais. Não é um tema simples, bem como também não é simples a mudança de paradigma de um sistema financeiro tão tradicional.

Recentemente, a nova conselheira do Nubank Jacqueline Reses (ex-executiva do Goldman Sachs, Private Equity Apax Partners, Yahoo e Alibaba) disse: “as fintechs vão dominar o cenário nos próximos anos e deveriam estar mais preocupadas com a chegada de novos competidores “disruptores” do que com os bancos tradicionais. Os criptoativos estão alterando a economia global”.

Trago perguntas que certamente te levarão a se questionar e refletir sobre o assunto:

– Se a criptoeconomia fosse tão ruim, por que seria um mercado altamente procurado por jovens entre 18 e 25 anos?

– Por que há países que estão adotando o Bitcoin como moeda local? Como é o caso de El Salvador.

– Por que alguns países lutam tanto para impedir seu avanço? Observamos atualmente esse movimento na China, mas também já houve na Nigéria, Argentina, Índia, Irã e em outros países.

– Por fim, por que a adoção de criptomoedas é tão expressiva em países onde o sistema financeiro local é mais “questionável”, como por exemplo na Venezuela, Argentina e em países africanos?

Nos próximos artigos, nos aprofundaremos em cada um destes pontos. No momento, proponho a reflexão de que trata-se de um movimento muito amplo.

Não é apenas uma frente especulativa, onde nascem moedas com nomes bonitinhos de cachorro, não é apenas uma “bolha”. A criptoeconomia é mais que a própria economia, é uma nova cultura, a cultura da saúde financeira descentralizada, desintermediada.

Por isso, aqueles que têm interesses no sistema tradicional buscam formas de criminalizar ou frear essa tendência – apesar de ser impossível cessá-la.

Assim, digo: o Bitcoin é um ator indesejado da economia global, mas veio para ficar, pois na criptoeconomia há benefícios claros providos de forma democrática como nenhuma outra iniciativa que este setor já trouxe.

 

* Sobre o autor: Rodrigo Soeiro Ubaldo, CEO e co-fundador da Monnos (https://monnos.com), primeira rede social de investimentos em criptomoedas do mundo.