Menos Hobbes e mais Rousseau na eleição da OAB

Por Kleber Azeredo
Kleber Azevedo - Advogado

Em

“Guerra de todos contra todos”. A emblemática frase reflete o pensamento de um dos mais importantes filósofos políticos do século XVII, Thomas Hobbes. Na obra “Leviatã, o pensador, que era partidário do absolutismo político, defende que a primeira lei natural do homem é a da autopreservação: impor-se sobre os demais. Na vida, no âmbito profissional e, principalmente, na política, vivenciamos na pele aquilo que Hobbes defendia há mais de 400 anos.

A forma como determinada campanha para a eleição da OAB vem sendo conduzida tem deixado explícito o desespero, a ânsia pelo poder e a certeza de que alguns caminham com o legado de Hobbes. Para isso, muitos se propõem a fazer uma campanha pautada na difamação, na falta de ética e na falta de caráter. Realidade deplorável, já que se trata de uma classe conhecedora do Estado Democrático de Direito.

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Próximo à reta final da campanha, muitos colegas de profissão têm sido vítimas de uma exposição desnecessária, sem fundamento e que nada tem a ver com as propostas apresentadas com o intuito de proporcionar melhorias aos mais de 60 mil advogados do Estado de Goiás.

Apoiar determinada chapa não anula a sua existência como profissional em outros segmentos, seja na advocacia ou em cargos de lideranças em órgãos públicos. Apoiar determinada chapa não anula a possibilidade de um profissional atuar em outros ramos da advocacia. Apoiar determinada chapa não anula a sua liberdade de, como um bom profissional, ter outros proventos. Na verdade, isso diz respeito a sua competência. Apoiar determinada chapa, abraçar a campanha e discutir sobre as possibilidades de melhorias para a nossa classe é fazer parte de uma construção de extrema importância para o avanço da advocacia em Goiás.

Para isso, é necessário escolher quem realmente é o número um: compromisso para a Ordem seguir mudando. Nesse estágio final e rumo à eleição, sugiro uma dose daquilo que um dos principais filósofos do iluminismo e precursor do romantismo, Jean-Jacques Rousseau, nos deixou como legado: “o ser humano é naturalmente bom”. Infelizmente, durante a caminhada, alguns se perdem.