Houve resistência. O ex-governador paulista João Doria se bateu de peito aberto contra o ex-presidente. Alguns deputados federais, também. O MBL ensaiou participar de um pedido de impeachment. Agora está distante e muito desafio fica pela frente. Bolsonaro não é um bom confrade político, é desleal, trai sem dó, não cumpre acordos. Todo mundo compreende que Bolsonaro só confia na própria família. Golpista é só um dos adjetivos que cabem a Bolsonaro.

A base dura do bolsonarismo circula entre 13% e 12%, mas, quando alguém com o sobrenome Bolsonaro se põe em campanha, já surge com pelo menos 20% das intenções de voto. Desde 2006, Lula tem 30% de base. Não sabemos o que se dá entre os 12%-13% da base sólida e os 20% da espontânea de seu adversário. Essa base, Bolsonaro não teve por boa parte da campanha de 2018, mas já estava lá em 2022. Grandes líderes são capazes de convencer a sociedade a ir com eles, mas na maioria das vezes o caminho é o contrário.

O problema é uma base sólida de 20% da sociedade que é bolsonarista. Segundo pesquisa, 54% dos brasileiros não acreditam que Bolsonaro tentou um golpe de Estado em 2022. Por isso, governadores fazem discurso ambíguo sobre o golpe e defendem anistia. Eduardo Leite é o único que acusa o golpe com clareza. Por que isso acontece? Antipetismo e frustração com o STF estão entre as possíveis razões.

Na polarização afetiva, se você está de um lado, já se posiciona com uma coleção de bandeiras contra o outro sem pensar. A defesa do Supremo pela militância de esquerda colabora para a sensação de que autoritário é o outro lado. E muitos esqueceram o inferno que foi viver aquele governo. E se o problema não forem os políticos de direita? E se o problema estiver na sociedade?

Ex-presidente: Bolsonaro deixa a UTI e é transferido para unidade semi-intensiva. Eleições: Presidenciáveis do PSD defendem mandato para o STF e criticam debate da escala 6×1. Há uma miragem nas pesquisas. Todo mundo compreende que Bolsonaro só confia na própria família. Os números de Lula são sólidos há 20 anos. Não mudarão.

Os governadores do Paraná, Ratinho Junior, de Minas, Romeu Zema, e o próprio Caiado hoje fazem um discurso ambíguo sobre o golpe e defendem anistia. O cálculo do trio pró-anistia é eleitoral, não tem nada a ver com convicções pessoais. Eles olham as pesquisas, sabem que do eleitorado à esquerda não tirarão votos. Mais de metade dos brasileiros acreditam na inocência de Bolsonaro. Muita coisa está por trás desses 54%. Antipetismo e frustração com o STF estão entre as possíveis razões.

Por isso, os governadores fazem discurso ambíguo sobre o golpe e defendem anistia. A defesa do Supremo pela militância de esquerda colabora para a sensação de que autoritário é o outro lado. Muitos esqueceram o inferno que foi viver aquele governo. E se o problema não forem os políticos de direita? E se o problema estiver na sociedade?