Barretos (SP) — A Festa do Peão de Barretos 2026 promete agitar o município com a presença de grandes nomes do pagode, como Alexandre Pires, Belo, Pixote e Turma do Pagode. Este é o maior número de artistas desse gênero nos últimos dez anos, refletindo uma mudança significativa na programação do evento, tradicionalmente dominado por artistas sertanejos.

O evento, que é o maior do Brasil em termos de cultura sertaneja, surpreendeu ao abrir espaço para o pagode, um gênero que, embora tenha uma forte ligação com a cultura popular, havia sido relegado a um segundo plano nas últimas edições. Historicamente, a festa atraiu críticas quando tentou incluir outros estilos, como funk e pop, mas agora, com 25% do line-up representado por pagodeiros, a receptividade tem sido notável.

Em entrevista à DE, Pedro Muzetti, diretor cultural da Festa do Peão de Barretos, comentou sobre a importância da inovação e diversidade. “Sabemos que, em um primeiro momento, as críticas aparecem, mas o público tende a abraçar as novidades quando elas acontecem”, afirmou. De fato, a inclusão do pagode na programação principal, especialmente com a presença de Alexandre Pires, promete atrair uma audiência ainda maior.

Qual a importância do pagode na Festa do Peão de Barretos?

A Festa do Peão de Barretos sempre teve um foco predominante no sertanejo, mas o crescimento dos artistas de pagode nos últimos anos indica uma evolução da trajetória musical do evento. De acordo com Muzetti, existe uma conexão mais intensa entre o público e os artistas do pagode em comparação a outros gêneros. “Com pagode, a recepção é diferente. O público se conecta de forma mais intensa”, destacou.

Nos últimos dez anos, a presença de artistas do pagode se limitou a apenas dois por edição. Em 2026, esse número saltará para quatro. Essa mudança é fruto de uma estratégia que começou em 2025, quando o empresário Alex Kalil, que gerencia a carreira de vários pagodeiros, começou a negociar sua presença em um rancho que ele mesmo criou no evento.

Belo, um dos ícones do pagode brasileiro, relembra sua conexão com o evento. Ele participou recentemente do show da dupla Hugo e Guilherme e elogiou a recepção do público. “Cantei uma música, e todos cantaram junto. Foi maravilhoso, e isso abriu portas para nossa apresentação neste ano”, comentou. A movimentação ao redor do pagode está fazendo com que mais artistas do gênero se interessem pela Festa do Peão, indicando um crescimento no interesse popular.

Como o cenário do pagode se transformou nos últimos anos?

Nos últimos dois anos, o pagode passou por uma transformação significativa, se consolidando como uma das principais forças musicais do Brasil. Marcelinho TDP, integrante da Turma do Pagode, destacou que a sua popularidade cresceu não apenas devido a eventos como a Festa do Peão, mas também pela realização de shows em diversos circuitos, incluindo aqueles predominantemente sertanejos.

A label “Tardezinha”, idealizada por Thiaguinho, um dos artistas mais conhecidos do gênero, é um exemplo do sucesso crescente do pagode. O evento tem atraído multidões em diferentes localidades, incluindo cidades onde o sertanejo é tradicionalmente o estilo dominante. O comprometimento e os resultados das performances mostram uma demanda crescente por esse gênero musical, mostrando que ele tem uma conexão estabelecida com o público.

O destaque do pagode na Festa do Peão de Barretos também está relacionado ao reconhecimento da sua relevância cultural. Os organizadores têm percebido que o público busca variedade e se sente atraído pela influência e pela conexão histórica entre o sertanejo e o pagode, uma relação que se fortaleceu ao longo das décadas.

Qual é a relação histórica entre sertanejo e pagode?

Desde a década de 1990, pagode e sertanejo compartilharam uma história de interações e colaborações. Grupos como Art Popular e Só Pra Contrariar foram pioneiros em misturar esses estilos, criando um diálogo musical que ainda persiste. A relação se intensificou provocando colaborações memoráveis, como a famosa canção “Fricote”, gravada com Daniel, que simbolizou essa amizade entre os gêneros.

Os eventos em que artistas de pagode se apresentam ao lado de seus homólogos sertanejos não são novas. Em 1997, o projeto “Amigos” da TV Globo apresentou diversos artistas sertanejos que incluíram o SPC em sua homenagem. Essa mistura de estilos impulsionou ainda mais a popularidade do pagode, sinalizando a sua aceitação no mainstream brasileiro.

No ano passado, a música “P do Pecado”, uma parceria entre o grupo Menos é Mais e a sertaneja Simone Mendes, se tornou um dos hits do ano, marcando um novo ponto de virada na relação entre os gêneros. Essa nova onda de colaborações mostra que o pagode se consolidou como uma forte narrativa dentro do cenário musical brasileiro.

Quais as expectativas para a Festa do Peão de Barretos 2026?

As expectativas para a Festa do Peão de Barretos 2026 são altas. A combinação do sertanejo e do pagode deverá criar uma atmosfera de grande celebração musical, atraindo tanto os amantes do sertanejo quanto os fãs de pagode. A presença de Alexandre Pires, cuja carreira está intimamente ligada ao sertanejo, será um grande atrativo, especialmente com seu projeto “Pagonejo Bão”, que promete uma homenagem especial ao estilo.

Os shows estão programados para apresentar um setlist diversificado, que deve incluir clássicos do pagode e do sertanejo, visando a satisfação do público de todas as idades. A combinação de ritmos poderá promover uma experiência única e memorável para todos os visitantes.

Com um line-up robusto e uma estratégia de inclusão mais abrangente, a Festa do Peão de Barretos se consolida como um evento plural e representativo da diversidade musical brasileira. Em suma, o pagode, que já é considerado uma cultura popular e vibrante, está finalmente recebendo seu merecido destaque e mostrando que sua influência só tende a crescer nos palcos do Brasil.