Pai de adolescente morto após agressão no DF vive ‘pesadelo’: família clama por justiça

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VÍDEO: pai de adolescente morto há 20 dias após agressão no DF diz viver
‘pesadelo’

Família cobra responsabilização de todos os envolvidos e diz que ainda não
conseguiu viver o luto. Réu por homicídio, Pedro Turra está preso
preventivamente na Papuda.

Pai de Rodrigo Castanheira fala sobre a ausência do filho, morto após ser
agredido por ex-piloto

> “Parece um pesadelo horrível que não acaba. A gente não consegue entender as
> coisas. É uma falta, é uma ausência do do Rodrigo…É desesperador”.

O desabafo é de Ricardo Almeida Castanheira, pai de Rodrigo Castanheira, de 16
anos, e foi dito exatamente 20 dias após a morte do jovem agredido pelo
ex-piloto Pedro Arthur Turra Basso
em Vicente Pires, no Distrito Federal.

Em entrevista ao DE e à TV Globo, Ricardo e Isabella
Torninn Fleury Castanheira, irmã do adolescente, falaram sobre o caso.

> “Qualquer coisa lembra ele. Na rua, dentro de casa. A bicicleta dele está com
> o pneu murcho que ele não encheu. O cobertor dele está lá”, disse Ricardo.

O pai contou que recebeu uma ligação do filho logo após a agressão.

> “Ele me ligou depois que foi agredido e falou assim: ‘Pai, eu tô indo para
> casa com o pai do Arthur porque me bateram e eu tô muito machucado’. Foi a
> última coisa que ele falou falou para mim. Aí ele chegou em casa todo
> arrebentado, já. Saindo sangue pelo nariz, vomitando”, relembrou Ricardo.

Pouco depois, segundo a família, o adolescente começou a passar mal e foi levado
ao hospital. Ele não voltou a falar.

LUTO INTERROMPIDO

‘A gente precisa que seja feita a justiça pra poder viver o luto’, diz irmã de
Rodrigo

Isabella Castanheira contou que a família passou noites em claro acompanhando os
monitores da UTI e rezando por uma reação.

Rodrigo morreu após mais de duas semanas de internação. Para a irmã, de 22 anos, a família ainda não conseguiu viver o luto.

> “A gente precisa que seja feita a justiça pra gente poder viver o nosso luto.
> Para mim, o meu irmão faleceu no dia 23 mesmo. […] Então tem mais de um mês
> que a gente não pode passar pelo luto, a gente abre no Instagram, a gente vê
> as as injustiças, a gente não não tem como ter paz”, contou a jovem.

> “Saí daquele pronto-socorro carregada. Só fui acordar perto das 20h. A
> primeira coisa que fiz foi pegar o celular. Quando abri, a primeira notícia
> era: ‘Pedro Turra paga fiança de 20 e poucos mil e está solto’. Aquilo acabou
> comigo, acabou comigo”, completou.

Estudante de medicina veterinária, Isabella disse que não conseguiu voltar aos
estudos e ao trabalho após a morte do irmão. O pai e a mãe de Rodrigo também não
voltaram a trabalhar.

> “Os meus pais perderam um filho, eu perdi a pessoa que eu pensei que ia passar
> o resto da vida comigo. Esse ano vou me formar e meu irmão não vai estar lá.
> Vou me casar e ele não vai estar lá”, desabafou.

Irmã de Rodrigo Castanheira conta que ouviu deboche na delegacia após prisão de
ex-piloto

Isabella contou ainda que ouviu risos e comentários de deboche por parte de
pessoas ligadas a Pedro Turra, dentro da delegacia, no dia em que registrou a
ocorrência (veja o vídeo acima).

Naquele momento, Rodrigo já estava internado em estado grave após passar por
cirurgia. Segundo a irmã, os comentários que a deixaram a “completamente
desolada”. Ela afirma que um homem que depois identificou como advogado, e que
estaria acompanhado de outras pessoas ligadas aos envolvidos, fazia insinuações
sobre o estado do irmão.

> “Falavam que ele era muito drogado, que estava muito bêbado, ‘esse bêbado,
> canivete’, não sei o quê”, relatou.

Em meio aos risos, segundo ela, também questionavam a ausência da vítima no
local.

> “Por que a vítima não está aqui? Por que não veio prestar depoimento? Por que
> teve que chamar tanta gente no lugar dela?”.

Uma prima, de acordo com ela, também presenciou a cena e teria escutado a frase:
“Não se preocupa não, a gente está no Brasil, não vai dar nada não”.

DE procurou a defesa de Pedro Turra para comentar as
declarações e aguarda posicionamento.

RESPONSABILIZAÇÃO

O adolescente Rodrigo Castanheira morreu 16 dias após ser agredido pelo piloto
Pedro Arthur Turra Bassos após uma briga por chiclete

Pedro Turra, de 19 anos, é réu por homicídio doloso qualificado por motivo
fútil. Ele cumpre prisão preventiva no Complexo Penitenciária da Papuda desde 2 de
fevereiro.

A família também pede que os demais presentes no dia das agressões também sejam
responsabilizados pelo caso. Outras cinco pessoas acompanhavam o ex-piloto,
segundo depoimentos colhidos pela Polícia Civil do Distrito Federal.

Pedro Turra agrediu Rodrigo Castanheira, de 16 anos, em 23 de janeiro em Vicente Pires, no Distrito Federal. O adolescente morreu
após 16 dias internado em estado gravíssimo.

Com a morte de Rodrigo, o MP reclassificou o crime cometido por Pedro Turra,
inicialmente investigado como lesão corporal gravíssima, para homicídio.

Além da condenação criminal, o MP pediu que Pedro Turra seja obrigado a pagar R$
400 mil por danos morais à família da vítima.

A defesa do ex-piloto Pedro Turra disse que não vai se manifestar sobre a
denúncia. Já a defesa da família do adolescente Rodrigo Castanheira alega que o
soco dado por Pedro Turra foi a causa da morte.

Ao DE, a Polícia Civil disse que foi solicitado à defesa
da família de Rodrigo que seja feito um pedido formal para que o médico do
Instituto Médico Legal (IML) analise se as lesões são compatíveis ou não ao
apresentado pelo laudo médico.

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