Palantir: crescimento nos contratos do governo dos EUA e defesa da tecnologia de vigilância pelo presidente CEO Alex Karp

palantir3A-crescimento-nos-contratos-do-governo-dos-eua-e-defesa-da-tecnologia-de-vigilancia-pelo-presidente-ceo-alex-karp

Palantir cresce com contratos do governo dos EUA e seu presidente defende tecnologia de vigilância

A Palantir Technologies, empresa de análise de dados e inteligência artificial conhecida por vender sistemas de monitoramento para governos e forças de segurança, registrou um salto expressivo nas vendas impulsionado por contratos com o governo dos Estados Unidos e, ao mesmo tempo, voltou a se ver no centro de uma controvérsia sobre vigilância e privacidade. As informações são da Reuters.

A companhia afirmou que a receita vinda do governo dos EUA disparou 66% no quarto trimestre, na comparação anual, para US$ 570 milhões. No total, a Palantir reportou vendas de US$ 1,41 bilhão no período, acima das estimativas de analistas, e projetou um avanço ainda maior em 2026 — movimento que animou o mercado no after-hours em Nova York e também repercutiu na negociação do papel na Europa.

A Palantir disse esperar receita entre US$ 7,18 bilhões e US$ 7,20 bilhões em 2026, o que representaria um aumento superior a 60% sobre 2025, segundo a própria empresa. Para o primeiro trimestre, a projeção de vendas ficou entre US$ 1,53 bilhão e US$ 1,54 bilhão, acima de uma estimativa de US$ 1,32 bilhão, conforme dados compilados pela LSEG mencionados pela Reuters.

Além do desempenho no setor público, a Palantir vem ampliando a oferta de ferramentas de IA “de nível militar” para empresas por meio de uma plataforma que busca ajudar clientes a integrar e desenvolver tecnologia baseada em inteligência artificial. A companhia foi apontada como uma das ações mais fortes do universo de IA nos últimos anos, com valorização acumulada de 1.700% em três anos, de acordo com o texto da Reuters.

No centro da defesa pública da empresa esteve o CEO Alex Karp, que procurou encaixar a tecnologia da Palantir como um mecanismo de controle, e não de ampliação, do poder de vigilância do Estado. Em carta aos acionistas, ele argumentou que o desenvolvimento de plataformas técnicas seria a forma mais eficaz de impedir invasões indevidas na vida privada.

Apesar do tom defensivo, a reportagem da Reuters situou a Palantir em um contexto de crescente escrutínio sobre empresas que trabalham com o U.S. Immigration and Customs Enforcement (ICE), especialmente diante de críticas às táticas descritas como agressivas e após episódios de grande repercussão envolvendo mortes de cidadãos norte-americanos em janeiro.

Mesmo com o salto de receitas e as previsões acima do consenso, a Palantir enfrenta questionamentos recorrentes sobre seu valuation. A Reuters apontou que as ações acumulavam queda superior a 15% no ano, em meio a dúvidas de Wall Street sobre a avaliação considerada muito esticada, com um índice preço/lucro projetado (12 meses à frente) de 140,5.

Fundada com participação do bilionário da tecnologia Peter Thiel — tendo a CIA como uma das primeiras apoiadoras, segundo a Reuters —, a Palantir construiu parte relevante de seu crescimento em torno de contratos governamentais. A reportagem também destacou que Thiel foi um apoiador inicial do presidente Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, e mantém relações próximas com figuras influentes em Washington, incluindo o vice-presidente JD Vance, a quem apoiou em uma disputa para o Senado em 2022.

Box de Notícias Centralizado

🔔 Receba as notícias do Diário do Estado no Telegram e no WhatsApp