Com exceção de pedidos como o de Valdemar da Costa Neto, presidente do seu partido, o PL, e de envolvidos diretamente na trama golpista, o ‘torturador’, ministro Alexandre de Moraes, do STF, já autorizou um rosário de deputados e senadores a visitar o homem. Da Papudinha, o ex-presidente costurou a obediência do governador Tarcísio de Freitas, que ouviu do próprio que, na falta de Jair, ele deverá trabalhará por Flávio e não por si na disputa pelo Planalto. A contragosto e por enquanto, claro. Jair também planeja atender pessoas que são importantes na construção da campanha de seu primogênito. Um exemplo foi a autorização dada para a visita do ex-secretário especial de Assuntos Fundiários de seu governo, Nabhan Garcia, liderança ruralista que pode aproximar Flávio do dinheiro e da força de setores do agronegócio. Caso estivesse em prisão domiciliar, como pede sua defesa, alegando questões de saúde, o fluxo de pedidos para a romaria seria ainda maior. Tudo isso é constrangedor para quem insiste na fábula da tortura: a Papudinha não virou calabouço, virou quartel-general. Não é masmorra, é escritório político com grade na porta. Bolsonaro não cumpre pena isolado do mundo, mas administra seu capital eleitoral de dentro da cadeia, recebe aliados, dá ordens, define candidaturas e mantém a máquina funcionando. Mesmo com os direitos políticos cassados. A cela mais confortável que a da carceragem da PF no Distrito Federal, o vaivém de parlamentares e o uso do presídio como palanque desmontam qualquer discurso humanitário de ocasião. Se há algo que pode ser violado ali, não é o corpo e a dignidade do condenado, mas o bom senso. E, sobretudo, a inteligência de quem ainda tenta vender como martírio aquilo que, na prática, se parece muito mais com privilégio.




