Parada LGBTQIA+ de Sorocaba celebra 18ª edição com carreata pelos diretos de pessoas trans: ‘Houve um despertar’

parada-lgbtqia2B-de-sorocaba-celebra-18a-edicao-com-carreata-pelos-diretos-de-pessoas-trans3A-houve-um-despertar

Parada LGBTQIA+ começou com carreata pelos direitos de pessoas trans em
Sorocaba: ‘Houve um despertar’

Parada LGBTQIA+ de Sorocaba chega à 18ª edição neste domingo (31), celebrando
memória e resistência. Antes da consolidação do evento, uma mulher trans
promoveu seminário e carreata pelos direitos da comunidade.

A primeira carreata em prol dos direitos dos LGBT’s aconteceu em junho de
2004, em meio a conflitos com a polícia, com a sociedade e falta de espaços para
pessoas trans.

Com o tema “Memória, Resistência e Futuro”, a 18ª edição da Parada do Orgulho
LGBTQIA+ promete ser uma das mais expressivas já realizadas em Sorocaba (SP),
reunindo artistas, coletivos culturais e parlamentares neste domingo (31). A concentração será na
Praça Frei Baraúna, a partir das 12h30.

Para os organizadores, a Parada não é apenas um evento cultural, mas também um
ato de visibilidade, resistência e afirmação de direitos da comunidade LGBTQIA+.

Apesar de estar na 18ª edição, o primeiro ato, que serviu como pontapé para o
que hoje é a Parada, ocorreu há mais de 20 anos, em 2004, e em um cenário
conflituoso até dentro da própria comunidade, conforme conta Thara Wells Corrêa,
primeira conselheira tutelar trans de Sorocaba e responsável por organizar a carreata que, anos depois, se transformou no
evento atual.

Na década de 90, início dos anos 2000, Sorocaba estava em um momento de muita
revolução, quando a gente fala de movimento, na época GLS, depois LGBT. Para as
pessoas trans, a gente tinha uma ONG, na época, que chamava ONG Girassol, que
foi a primeira a falar sobre direitos de pessoas GLS, a sigla era gays, lésbicas
e simpatizantes, ou seja, nem falávamos de identidades trans ainda, mesmo que as
travestis estivessem na linha de frente na luta por direitos e de
reconhecimento.

Não há registro exato de quando o termo GLS começou a ser usado no Brasil.
Especialistas explicam que a sigla era utilizada como um marcador de
estabelecimentos que, em teoria, respeitavam a diversidade sexual. Com o tempo,
a sigla passou a englobar também bissexuais e pessoas trans, mas, em Sorocaba, a
vivência trans ainda era marcada pela marginalização, segundo relata Thara.

Algumas boates LGBTs ainda proibiam a entrada de pessoas trans, alegando que
iriam quebrar tudo, que viviam com gilete debaixo da língua. Havia as
violências da sociedade. As travestis dessa época, que estavam em situação de
prostituição, tinham que se defender de estudantes que vinham em multidão para
bater nelas. Pessoas da família conservadora que passavam de carro jogando
ketchup, mostarda ou urina nas pessoas trans que estavam nas esquinas. Fora
também a polícia, que, na época, batia nas travestis que estavam exercendo o
direito do diurno, de andar à luz do dia.

A ausência de espaços seguros, inclusive dentro de locais que diziam oferecer
acolhimento, somada às agressões da sociedade e da própria polícia foram fatores
que levaram Thara a se articular em busca de direitos.

Na década de 90, início dos anos 2000, Sorocaba estava em um momento de muita
revolução, quando a gente fala de movimento, na época GLS, depois LGBT. Para as
pessoas trans, a gente tinha uma ONG, na época, que chamava ONG Girassol, que
foi a primeira a falar sobre direitos de pessoas GLS, a sigla era gays, lésbicas
e simpatizantes, ou seja, nem falávamos de identidades trans ainda, mesmo que as
travestis estivessem na linha de frente na luta por direitos e de
reconhecimento.

Após o encontro, veio também a primeira mobilização de rua: uma carreata que
Thara considera o embrião da Parada LGBTQIA+ da cidade. O ato aconteceu em 6 de junho de 2004, com travestis à frente do movimento, três
carros de passeio e um carro de som, saindo justamente da Praça Frei Baraúna, o
mesmo ponto que, neste domingo, volta a receber a concentração. Nos dois anos seguintes, 2005 e 2006, não houve eventos semelhantes à Parada. Mas, em 2007, uma organização assumiu o ato e criou, de fato, a Parada do
Orgulho LGBT.

Em 18 anos de história, a Parada ganhou destaque internacional, chegando a
receber o Prêmio Diversa de Boas Práticas na Organização de Paradas, em 2024. O
evento também foi selecionado para integrar o programa +Orgulho, iniciativa do
Governo do Estado de São Paulo voltada ao incentivo de ações culturais afirmativas para a comunidade LGBTQIA+.

O coordenador geral do evento, Ronaldo Pires, acredita que a edição deste ano
reúna 70 mil pessoas, se consolidando como a maior da história do evento. A Parada é um espaço plural e democrático. É para todos que acreditam em uma
sociedade mais igualitária, onde o preconceito e a intolerância não têm vez. Celebramos a vida, a diversidade e a cultura local.

A concentração está marcada para 12h30, com abertura no trio da organização, ao
som do DJ Tarragot, seguida por apresentações de DJs locais e performances de
drag queens. Ao longo da tarde, o público poderá acompanhar shows de artistas
renomados e, em seguida, a marcha pela região central até o bairro Campolim, com
previsão de encerramento às 21h.

De acordo com o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), existem 2.104 lares homoafetivos em Sorocaba. O número saltou mais de
760% na cidade, em comparação com o Censo anterior, divulgado em 2010. O termo “lares homoafetivos” define as residências onde o responsável é casado
com uma pessoa do mesmo sexo, conforme o IBGE.

🔔Receba as notícias do Diário do Estado no Telegram do Diário do Estado e no canal do Diário do Estado no WhatsApp