Perícia psiquiátrica descarta transtorno mental de acusado de matar enteada de
10 anos com 16 facadas em Barueri, na Grande SP
Larissa Manuela Santos de Lucena, de 10 anos, foi encontrada morta em casa no
Jardim Tupã, em Barueri, no dia 12 de junho de 2025. Perícia foi realizada em 27
de novembro de 2025, a pedido da 2ª Vara Criminal do Foro de Barueri, no âmbito
de um processo criminal.
Larissa Manuela foi morta no dia 12 de junho de 2025 com 16 facadas —
Foto: Arquivo Pessoal
Larissa Manuela foi morta no dia 12 de junho de 2025 com 16 facadas — Foto:
Arquivo Pessoal
Um laudo de perícia psiquiátrica elaborado pelo Instituto de Medicina Social e
de Criminologia de São Paulo (Imesc) concluiu que Diego Antonio Sanches
Magalhães, de 32 anos, preso após confessar que assassinou a enteada Larissa
Manuela Santos de Lucena, de 10 anos, não tinha nenhuma doença mental que o
impedisse de entender o que estava fazendo no dia do crime.
Larissa Manuela foi encontrada morta com 16 facadas em 12 de junho de 2025 em
Barueri, na Grande São Paulo, na casa em que morava com a mãe e o irmão.
Na época, policiais militares foram acionados para atender uma ocorrência de
tentativa de suicídio e, no local, encontraram a vítima já sem vida.
Ao longo da investigação, a Polícia Civil reuniu uma série de elementos que
passaram a direcionar as apurações para Diego Antonio Sanches Magalhães, então
namorado da mãe da vítima. Em interrogatório no dia 23 de junho, Diego confessou
ser o autor do homicídio, alegando que “perdeu a cabeça” depois que a criança o
chamou de “corno” (veja mais abaixo).
A perícia psiquiátrica foi realizada em 27 de novembro, a pedido da 2ª Vara
Criminal do Foro de Barueri, no âmbito de um processo criminal.
De acordo com o laudo, Diego morava com a mãe, trabalhava como montador de
móveis, tem ensino médio completo e dois filhos que não moram com ele. Ele
relatou uso eventual de álcool aos fins de semana, em pequena quantidade, e
negou o uso de drogas.
Durante a entrevista, Diego descreveu sua versão sobre os fatos investigados e
afirmou que decidiu assumir a autoria do crime após ser ameaçado por populares,
acreditando que ficaria protegido pela Justiça.
No exame médico, o perito apontou que Diego estava “consciente e atento,
plenamente orientado, com humor estável”. O pensamento era considerado normal,
com raciocínio lógico, sem sinais de alterações na percepção da realidade nem
presença de ideias delirantes.
O laudo aponta características de personalidade, como egocentrismo e carência de
empatia, mas destaca que não foram identificadas alterações psicopatológicas.
Segundo a conclusão do documento, essas características não configuram doença
mental. O perito afirma que não houve, à época dos fatos, nenhuma condição
psiquiátrica que tornasse o acusado inimputável ou semi-imputável.
O laudo também responde que não há indicação de internação ou tratamento
ambulatorial, nem necessidade de aplicação de medida de segurança. Ainda
conforme o documento, não foi identificada alteração psicopatológica relacionada
ao uso de medicamentos ou a internações psiquiátricas prévias.
Ao DE, o advogado de defesa da família de Larissa, Lucas Silva Santos, disse que
aguarda o julgamento de Diego, que permanece preso preventivamente.
CRIME
De acordo com o boletim de ocorrência e os primeiros depoimentos colhidos pela
Polícia Civil, Larissa Manuela Santos de Lucena, de 10 anos, foi encontrada
morta dentro da casa onde morava, na Rua José Ilhéus, no Jardim Tupã, em
Barueri, na tarde de 12 de junho de 2025. O crime passou a ser investigado como
homicídio doloso, com autoria ainda desconhecida inicialmente.
A mãe da vítima relatou à polícia que saiu para trabalhar por volta das 6h e, ao
retornar no fim da tarde, encontrou a filha já sem vida dentro da residência.
Segundo ela, Larissa estava sozinha naquele dia, pois o irmão, de 19 anos,
estava em Sorocaba.
Ela afirmou ainda que a porta da casa costumava permanecer apenas encostada, sem
tranca, e disse não saber quem poderia ter cometido o crime nem a motivação.
Policiais militares foram acionados inicialmente pelo Copom com a informação de
uma possível tentativa de suicídio, mas, ao chegarem ao local, constataram
sinais claros de violência.
A criança apresentava ferimentos provocados por instrumento perfurocortante,
principalmente no pescoço, além de lesões na face e no tórax. Havia vestígios de
sangue no corpo, em um edredom, na cama e na parede do quarto. A perícia
preliminar não identificou sinais de luta nem localizou, naquele momento, a arma
utilizada.
Ainda conforme o registro policial, a forma como o crime ocorreu indica que a
vítima possivelmente estava dormindo no momento do ataque. O Corpo de Bombeiros
foi acionado e confirmou o óbito no local. A área foi preservada para os
trabalhos periciais, e o corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML)
para exame necroscópico.
A mãe também informou aos investigadores que já havia tido um relacionamento
marcado por episódios de violência com o pai da criança, contra quem possuía
medida protetiva. Consta ainda no boletim que, cerca de 15 dias antes do crime,
o pai da vítima havia registrado uma ocorrência de lesão corporal por arma
branca. Esses fatos passaram a integrar a apuração policial.
A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar o caso e realiza diligências,
incluindo a análise de imagens de câmeras da região e a oitiva de familiares e
testemunhas.
DEPOIMENTOS DE DIEGO
Em seu primeiro depoimento à Polícia Civil, prestado em 13 de junho de 2025,
Diego Antonio Sanches Magalhães, então namorado da mãe de Larissa, afirmou não
saber quem matou Larissa Manuela Santos de Lucena nem a motivação do crime.
Assistido por advogado, ele disse que, no dia do homicídio, estava trabalhando
na casa de um cliente, no município de Jandira, onde realizava a montagem de um
móvel.
Segundo o relato, Diego afirmou que recebeu diversas ligações da namorada por
volta das 17h02, mas não conseguiu atender naquele momento. Minutos depois, às
17h11, retornou a ligação e ouviu da namorada a frase: “Mataram minha filha”.
Ele declarou que mantinha relacionamento com a mãe da criança havia cerca de 11
meses e que, ao tomar conhecimento da morte, seguiu para a residência da
família.
No depoimento, Diego também declarou desconhecer qualquer pessoa que pudesse ter
cometido o crime, negou envolvimento e disse não saber apontar suspeitos ou
circunstâncias que explicassem o homicídio.
Diego passou a ser investigado pela Polícia Civil. O celular, roupas e objetos
foram apreendidos. Em 23 de junho de 2025, ele confessou a autoria.
Acompanhado por um advogado, Diego abriu mão do direito de ficar calado e
assumiu a autoria do crime.
Segundo o relato, ele afirmou enfrentar problemas emocionais relacionados a um
relacionamento amoroso anterior, marcado por traição, o que teria desencadeado
sofrimento psicológico e até uma tentativa de suicídio no passado. Ele disse que
esses episódios foram relatados à atual companheira, mãe da vítima, com quem
mantinha um relacionamento.
No depoimento, Diego declarou que, nos dias que antecederam o crime, não estava
se sentindo bem emocionalmente e decidiu viajar para São Sebastião, no litoral
paulista, sem avisar familiares ou conhecidos. Ao retornar, afirmou ter ficado
abalado após desentendimentos com a companheira, incluindo uma cobrança por mais
responsabilidade e a troca da senha do celular por parte dela.
De acordo com o interrogatório, na manhã do crime, Diego foi até a casa da
namorada, em Barueri, com a intenção de conversar. Ele disse que a porta estava
apenas encostada, como era habitual, e que entrou no imóvel, onde encontrou
Larissa deitada na cama. Segundo sua versão, os dois iniciaram uma conversa
sobre a ausência da mãe e, em determinado momento, a criança teria feito uma
provocação verbal, falando: “Você é corno”.
Ainda conforme o relato, Diego afirmou que perdeu a cabeça, retirou a menina da
cama, jogou-a no chão e, em seguida, pegou uma faca na cozinha, desferindo
diversos golpes contra a criança, que não teria oferecido resistência. Ele
declarou acreditar que o primeiro golpe já teria sido fatal e disse não se
recordar com clareza da sequência das agressões.
Após o crime, Diego afirmou que deixou o local, mas retornou momentos depois
para buscar o celular que havia esquecido na residência. Ele disse ter
descartado a faca usada no ataque em uma lixeira na mesma via e relatou que
imagens registradas por câmeras mostram o momento em que abriu uma lixeira para
descartar objetos. Em seguida, afirmou que seguiu para a loja de móveis onde
trabalhava, trocou de roupas e, posteriormente, jogou fora o tênis que usava
no momento do crime.
No interrogatório, Diego negou estar sob efeito de álcool ou drogas quando
cometeu o homicídio e afirmou que parte das roupas usadas no dia foi apreendida
pela polícia. Disse ainda que nunca passou por acompanhamento psicológico
ou psiquiátrico, mas acreditava necessitar de tratamento na área de saúde mental.
Ao final, declarou estar arrependido e afirmou que bilhetes encontrados pela
polícia, com pedidos de desculpa endereçados para a mãe de Larissa, não teriam
relação com o crime, pois teriam sido escritos antes de sua viagem ao litoral.




