Periquitos resgatados após queda de árvore no MA têm quadro estável; veja as fases do tratamento
Equipe do Ibama trabalha na estabilização das aves resgatadas após a queda de um eucalipto de 32 metros. Mais de 350 aves morreram e 23 seguem em tratamento.
Veterinário mostra como os periquitos foram encontrados após queda de árvore no MA [https://s02.video.glbimg.com/x240/14306845.jpg]
Veterinário mostra como os periquitos foram encontrados após queda de árvore no MA
Dos 27 periquitos resgatados com vida após a queda de uma árvore que matou 350 aves no interior do Maranhão, 23 seguem em tratamento no Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (Cetas), do Ibama, em São Luís. Ao De, o coordenador do centro, Roberto Veloso, informou que o estado de saúde das aves é estável.
Das aves sobreviventes, três morreram durante o transporte e uma morreu na madrugada de sábado (31). As aves são da espécie periquito-rei (Eupsittula aurea) e medem de 25 a 29 centímetros. Elas foram recolhidas após a queda de um pé de eucalipto de 32 metros, em Lajeado Novo, a cerca de 500 km de São Luís.
Muitos animais chegaram com fraturas, lesões traumáticas e casos de desenluvamento (quando há arrancamento da pele). As aves estavam debilitadas e estão sendo medicadas e recebendo alimentação específica para acelerar a recuperação.
O Cetas de São Luís conta com 15 profissionais, entre biólogos, médicos-veterinários, engenheiros agrônomos e zootecnistas. Em 2025, o centro recebeu cerca de 2,2 mil animais silvestres.
Segundo o médico-veterinário e professor da Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão (Uemasul), Leonardo Moreira, logo após o acidente as aves foram organizadas por gravidade, tiveram as fraturas imobilizadas e receberam hidratação e medicação para a dor.
Depois, foram transportadas de Lajeado Novo para Imperatriz e, em seguida, para São Luís, onde agora são atendidas pelo Cetas.
No abrigo, o caminho de recuperação segue o seguinte protocolo, que define se cada animal tem condições de retornar à natureza:
Triagem e avaliação clínica
No abrigo, a primeira etapa é a triagem clínica. A equipe identifica se cada ave é neonato, filhote, jovem ou adulta e define o cuidado adequado. Segundo o coordenador do abrigo, todas as aves resgatadas são jovens e adultas.
Nessa etapa, as aves internadas entram em quarentena, onde passam por observação e recebem cuidados para as futuras etapas do tratamento.
Depois, passam por exame clínico completo e, conforme a gravidade das lesões, podem ser indicados procedimentos cirúrgicos. No caso dos periquitos, muitos chegaram com múltiplas fraturas e alguns apresentavam hipovolemia (baixo volume sanguíneo).
Estabilização
Esta é a atual fase em que as aves se encontram. Segundo o coordenador do Cetas, a estabilização envolve corrigir problemas comuns após acidentes desse tipo, como hipotermia e desidratação.
Após essa fase, as aves são alimentadas, medicadas quando necessário e têm as fraturas avaliadas.
Observação
Se recuperadas, as aves devem sair da quarentena e serem transferidas para os recintos de manutenção. Em seguida, são inseridas nos corredores de voo, que são espaços alongados onde podem ganhar força e treinar o voo antes de voltar à natureza.
Reabilitação e soltura
Na fase final, as aves ficam nos viveiros até retomarem a capacidade de viver sozinhas. O Ibama possui áreas de soltura e monitoramento.
Antes de retornar à natureza, os periquitos devem passar por aclimatação, que é o processo de adaptação em viveiros maiores, onde as aves recuperam força, comportamento natural e capacidade de sobreviver sem assistência.




