SÃO PAULO (SP) — Um professor da Escola Técnica Estadual (Etec) de Cubatão, no litoral paulista, foi afastado cautelarmente de suas funções após ser denunciado por perseguir um ex-aluno com mensagens de teor sexual. O jovem, que estudou na unidade entre 2023 e 2024, descobriu a identidade do autor ao simular uma transferência via Pix de R$ 0,01 para o número desconhecido, método que revelou o nome e parte do CPF do docente. O caso é investigado pela Polícia Civil e gerou comoção na comunidade escolar.
Mensagens insistentes levaram o ex-aluno a investigar por conta própria
O ex-aluno, que não teve a identidade revelada para preservação da privacidade, contou em depoimento à imprensa que recebeu as primeiras mensagens em maio de 2024, ainda durante o último ano na Etec. O autor afirmava que ele era “lindo” e “gostoso”, mas o jovem inicialmente ignorou os contatos. Após a terceira investida, decidiu descobrir quem estava por trás do número. Em uma busca na internet, encontrou a dica de simular um Pix: ao digitar o telefone como chave, o sistema exibe o nome completo e parte do CPF do destinatário. “Quando vi o nome do professor, bloqueei imediatamente”, relatou.
Em outubro de 2025, um novo número desconhecido enviou mensagens semelhantes. O jovem repetiu o procedimento do Pix e confirmou que se tratava do mesmo docente. Dessa vez, ele procurou a direção da escola, que identificou que a parte do CPF coincidia com o cadastro do professor na instituição. A Etec orientou o ex-aluno a registrar boletim de ocorrência e fazer a denúncia em um canal oficial do governo estadual, mas a formalização inicial não foi concluída naquele momento.
Contato pelo Telegram levou ao registro de boletim de ocorrência
No domingo (7), o jovem foi abordado pelo aplicativo Telegram por um número que exibia o nome do professor e mensagens ainda mais explícitas: “Gostoso. Bundudo gosto. Bora real”. Diante da insistência mesmo após os bloqueios, o ex-aluno registrou um boletim de ocorrência no 3° Distrito Policial de Cubatão. No documento, destacou que as mensagens são “excessivamente íntimas, inadequadas e com conteúdo sexualmente sugestivo”, causando constrangimento e insegurança.
A Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo confirmou que o caso está sob investigação. “Diligências estão sendo realizadas para o esclarecimento dos fatos. Detalhes serão preservados para garantir a autonomia do trabalho policial”, informou a pasta. O Centro Paula Souza (CPS), responsável pela gestão das Etecs, emitiu nota oficial repudiando toda forma de assédio e confirmando o afastamento cautelar do professor até a conclusão da apuração interna. “A denúncia já seguiu para a Controladoria Geral do Estado. O CPS possui uma Comissão Permanente de Orientação e Prevenção contra o Assédio Moral e Sexual para capacitação de profissionais”, diz o comunicado.
O caso, ocorrido em SÃO PAULO, reacende o debate sobre segurança nas instituições de ensino e os meios disponíveis para que vítimas identifiquem assediadores de forma discreta. A Etec de Cubatão informou que prestou acolhimento ao ex-aluno e que o denunciante não é mais aluno da unidade. A defesa do professor não foi localizada para comentar as acusações.



