Perseguição e Conversa Antes de Morte: Policial Civil é Suspeito em São Paulo

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Vídeo mostra perseguição e conversa minutos antes de mulher trans ser morta a tiros em São Paulo

O suspeito de matar Sheila, de 35 anos, é o policial civil Paulino Domiciano Antônio. Ele foi preso em flagrante na segunda-feira (2), horas após o crime, e afirmou que teria sido vítima de uma tentativa de assalto; caso é investigado como homicídio doloso.

Imagens de câmeras de segurança obtidas pelo DE mostram os momentos que antecederam a morte de uma mulher trans de 35 anos na madrugada de segunda-feira (2), no Planalto Paulista, Zona Sul de São Paulo.

No vídeo, gravado por volta das 4h38, a vítima, identificada como Sheila, aparece correndo atrás de um homem apontado como suspeito do crime, o policial civil Paulino Domiciano Antônio. Os moradores da rua acionaram a PM cerca de 12 minutos depois, relatando barulho de tiros, segundo o boletim de ocorrência.

Sheila foi encontrada caída na rua com um ferimento no tórax compatível com disparo de arma de fogo. A morte foi constatada no local. O caso é investigado como homicídio doloso.

Já o policial foi preso em flagrante após se apresentar espontaneamente aos seus superiores horas após o crime. Na delegacia, ele afirmou que teria sido vítima de uma tentativa de assalto. No entanto, não acionou a PM nem comunicou o ocorrido às autoridades no momento dos fatos.

As imagens registram uma perseguição que dura cerca de dois minutos. Em determinado momento, os dois param em frente a um carro e conversam. Em seguida, o homem se afasta a pé segurando algo que não é possível identificar. Sheila permanece parada, aparenta mexer no celular e depois sobe a rua.

Na sequência do vídeo, o policial volta a aparecer. Sheila corre atrás dele novamente. Pouco depois, um carro entra no enquadramento, e o investigador retorna à rua por onde havia passado correndo. Sheila não aparece mais nas imagens. O policial, então, volta ao carro e deixa o local. No vídeo não dá para ver os disparos de arma de fogo.

Cerca de dez minutos depois, por volta das 4h50, a Polícia Militar foi acionada após relatos de tiros na Alameda dos Guainumbis, esquina com a Rua Irerê, segundo o boletim de ocorrência. O Samu foi chamado, mas a morte foi constatada ainda no local.

Segundo o boletim de ocorrência, um morador relatou ter ouvido três disparos de arma de fogo em um intervalo de poucos segundos. Ele afirmou que o atirador estava em um carro antigo e que gritou ofensas antes de atirar, mas disse não ter conseguido identificar o veículo nem o autor.

A perícia encontrou no local um fragmento de projétil, uma marca de disparo em um muro próximo e apreendeu R$ 37,90 em dinheiro e um recipiente com substância branca que estavam na bolsa da vítima. Sheila não portava documentos no momento do crime.

O caso foi registrado como homicídio doloso no 27º Distrito Policial, no Campo Belo, e passou a ser investigado pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP).

Exames necroscópico, toxicológico e de DNA foram solicitados, e imagens de outras câmeras da região estão sendo analisadas para esclarecer a dinâmica e a autoria do crime.

RELEMBRE O CASO

Paulino Domiciano Antônio teria deixado o local do crime dirigindo uma viatura descaracterizada da Polícia Civil.

Inicialmente, o caso foi registrado como homicídio de autoria desconhecida. A investigação avançou após a apresentação do policial à Corregedoria da Polícia Civil. Ele foi ouvido e, na sequência, encaminhado ao Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), que assumiu as investigações.

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que o policial civil foi preso em flagrante por envolvimento no caso e que a “Corregedoria da Polícia Civil acompanha a ocorrência e adotará as devidas providências”.

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