Pescadores do Rio Piracicaba afetados por mortandade de peixes sofrem sem seguro defeso durante a piracema: ‘dá depressão’

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Sem seguro defeso, pescadores afetados pela mortandade de peixes no Rio Piracicaba relatam dificuldades: ‘dá depressão’

Desastre matou mais de 253 mil peixes e deixou profissionais sem fonte de renda.
Eles relatam que benefícios recebidos do poder público foram insuficientes.

Pescadores artesanais estão sem receber seguro defeso durante a piracema em Piracicaba

Os pescadores do Tanquã, atingidos pela mortandade de mais de 253 mil peixes no Rio Piracicaba, em julho de 2024, não receberam o seguro defeso durante a piracema e enfrentam dificuldades financeiras.

Rodrigo José Ferreira mora na vila de pescadores do Tanquã há 22 anos. Como para a maioria da população que vive na comunidade, o salário ainda não caiu na conta.

> “Tanto eu, como os outros pais de família, entram até em depressão porque não temos uma segurança. Como vamos fazer?”, se questiona.

A Piracema começou em 1º novembro de 2025 e deve terminar em 28 de fevereiro deste ano. Em todo esse período, é proibida a pesca de espécies nativas. Os pescadores que precisavam receber o valor do seguro defeso, ficaram sem o pagamento.

O pagamento do benefício no valor de um salário mínimo, pago pelo governo federal, é previsto para quem sobrevive da pesca artesanal, durante o período em que não puder realizar as atividades na época da piracema, quando ocorro a reprodução das espécies.

Os pescadores entrevistados pela EPTV, afiliada da Globo para Piracicaba e região, relatam os desafios e dificuldades para pagarem as contas e para se manterem após a mortandade de peixes e na ausência dos benefícios previstos pelo poder público.

Com os olhos marejados, Rodrigo disse recorre a bicos para poder manter a família. Sem os recursos, o pescador vive de bicos. Mas, mesmo com a renda extra, não tem sido o suficiente para sobreviver.

> “Vou pegando outros serviços, roçando terrenos, pegando ranchos para limpar. Essas coisinhas. Mas, não é suficiente. Esse serviço de limpeza geralmente paga R$ 20 ou R$ 30. Não tem como. Hoje o quilo da carne custa R$ 40, como vai sobreviver?”, relatou.

A esposa de Rodrigo, Mônica Ferreira, também expresou o desespero ao comentar que não tem dinheiro para despesas essenciais e comprar o uniforme escolar para o filho. “Sobre o seguro, não tem nenhuma parcela. Não sabemos quando vai sair”, disse.

Outro pescador, Alan Renato, também lamentou a situação. “Está difícil. Pelo menos, deveríamos ter o direito de ganhar uma cesta básica, eu acho”, disse.

Ele comentou que mesmo depois de ano e meio da mortante, o volume de peixes no Rio Piracicaba na região do Tanquã diminui bastante. “Não sei o que vai acontecer”, afirmou.

Além do seguro defeso, pelo governo federal durante a Piracema, os pescadores afetados pela tragédia ambiental têm o direito ao crédito emergencial oferecido pelo estado com possibilidade de fazerem empréstimos com juros menores.

Os pescadores puderam pegar até R$25 mil e agora enfrentam dificuldades para pagar as parcelas dos empréstimos.

“Como vai ser pago, sendo que não veio o auxílio pesca?”, disse uma pescadora.

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e Usina São José estudam, desde outubro de 2025, o texto da minuta de uma uma possível acordo com reparo ambiental e salário a pescadores após mortandade de peixes no Rio Piracicaba.

Em julho de 2025, o DE e a EPTV já tinham mostrado a situação dos pescadores, seis meses depois da tragédia ambiental que resultou na morte de mais de 253 mil peixes.

Na época, os pescadores contram que alguns turistas voltaram a frequentar o ambiente, conhecido como minipantanal paulista.

Bernal tem um bar na vila dos pescadores e, como a maioria dos que vivem no Tanquã, precisou da ajuda do Poder Público para sobreviver após o dano ambiental. No entanto, ele afirmou que o seguro defeso de um salário mínimo, pago pelo governo federal, ainda não foi depositado.

Com a maior mortandade de peixes já registrada no Rio Piracicaba, a prefeitura distribuiu cestas básicas aos moradores afetados. Porém o auxílio terminou em dezembro de 2024.

A nova administração disse que as famílias em situação de vulnerabilidade devem procurar o Centro de Referência em Assistência Social (Cras) Novo Horizonte para pedir o benefício novamente. Os pedidos vão ser analisados.

Em julho de 2024, cerca de 253 mil peixes morreram em um trecho de 70 quilômetros até a APA do Tanquã. Foi a maior mortandade já registrada no rio Piracicaba.

O dano ambiental gerou uma multa de R$ 18 milhões à Usina São José, de Rio das Pedras (SP), apontada pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) como a origem da poluição que gerou as mortes dos animais. A empresa sustenta que não foi comprovado que ela seja a responsável pelo crime ambiental.

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