Análise: Com 50% de aprovação, Lula pode chegar favorito em 2026
Pesquisa Datafolha indica aprovação do governo em 48%
Mais do que perseguir notas exemplares de aprovação, integrantes do governo
reconhecem que o mais importante agora é “passar de ano”. O que significa ter
aprovação de pelo menos 50% da população para chegar com mais tranquilidade nas
eleições de 2026.
A pesquisa Datafolha, que indica 49% de reprovação e 48% de aprovação do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), não estabelece uma tendência do que acontecerá, levando em consideração a proximidade dos números. Ao mesmo tempo, está longe do cenário de terra arrasada que embala os discursos de opositores.
A pesquisa deixa em aberto a possibilidade de recuperação da imagem da gestão de Lula. E isso acontece às vésperas da manifestação encabeçada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em prol da anistia dos condenados pelos atos do 8 de janeiro, marcado para este domingo (6).
O governo vai acelerar a agenda de pautas positivas, viagens e anúncios, além de intensificar a articulação para aprovar no Congresso matérias de apelo popular.
Por outro lado, a oposição não deixará de bater na tecla de que a vida com Lula está pior do que com Bolsonaro.
São discursos absolutamente legítimos de quem quer continuar ou voltar ao poder. Mas, objetivamente, a marca dos 50% nas pesquisas de opinião pública é um número mágico que ditará os rumos do quadro de candidatos no ano que vem.
Em entrevista à CNN, o cientista político Antônio Lavareda falou do poder do incumbente, ou seja, de quem tem mandato. E sobre como essa vantagem natural, associada ao bom desempenho em pesquisas, rende título de favorito.
“Quem está sentado na cadeira e é candidato deve perseguir o patamar dos 50% de aprovação. Com isso, ele vai para campanha eleitoral como franco favorito. Óbvio que pode haver surpresa, mas isso é minoritário. Lembrando que no mundo, nos últimos anos, 80% dos incumbentes se elegeram. Bolsonaro não tinha 50% de aprovação no momento das eleições de 2022, não tinha esses 48% que o Lula tem hoje e, por causa disso, não conseguiu se eleger”, disse Lavareda.
O especialista traçou paralelo também entre os cenários brasileiro e americano, em que o então presidente Joe Biden renunciou à disputa porque vinha perdendo aprovação nas pesquisas. “Se o Biden tivesse 48% de aprovação, Kamala Harris teria sido eleita, só para vocês terem uma ideia da importância dessa variável como preditora de comportamento eleitoral futuro”, disse.
“Se o presidente Lula chega a 2026 com uma aprovação de 48% ou 50%, ou coisa assemelhada, desestimularia algumas candidaturas e isso já iria mudando o cenário do chamado grid de largada, os candidatos que iremos ver efetivamente disputando as eleições”, conclui.