Uma pesquisa recente realizada em sete países da União Europeia revelou que a maioria dos europeus considera o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como um “inimigo” do continente. O estudo também apontou que o sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos Estados Unidos foi considerado “ilegal” por 63% dos europeus entrevistados. Esses dados foram divulgados pela revista francesa de geopolítica Le Grand Continent e mostram um cenário de desconfiança em relação a Washington.
O levantamento, conduzido entre os dias 13 e 19 de janeiro, ouviu mil pessoas em cada um dos países analisados: França, Bélgica, Alemanha, Itália, Espanha, Dinamarca e Polónia. Os resultados revelaram que 51% dos entrevistados enxergam Trump como um “inimigo da Europa”, enquanto apenas 8% o consideram um “amigo”. Essa tendência é predominante em seis dos sete países pesquisados, com a Polónia sendo a exceção.
A Polónia, que tradicionalmente vê os Estados Unidos como um garantidor de sua segurança, mostrou uma visão menos crítica em relação a Trump, com 28% dos entrevistados considerando-o um inimigo. Já a Dinamarca, por outro lado, é um dos países mais críticos, com 58% dos entrevistados o classificando como inimigo da Europa. O levantamento também revelou a opinião dos europeus sobre a operação militar dos EUA que resultou no sequestro de Nicolás Maduro, com 63% considerando-a ilegal.
Essa pesquisa reflete um ambiente de incerteza em relação ao papel dos Estados Unidos na segurança europeia. Enquanto 73% dos entrevistados defendem a capacidade da União Europeia de garantir sua própria defesa sem depender dos EUA, apenas 22% acreditam em uma intervenção militar americana em caso de necessidade. Isso sugere um crescente sentimento de que a Europa deve reduzir sua dependência estratégica de Washington, especialmente diante das mudanças geopolíticas recentes e das posições adotadas por Trump.
Apesar de os Estados Unidos serem a maior potência militar do mundo e um membro crucial da Otan, os dados da pesquisa indicam uma crescente necessidade de a Europa reavaliar sua postura em relação à defesa e investimentos nessa área. A discussão sobre a soberania europeia e a independência estratégica se intensifica diante da atual conjuntura política internacional. Esses resultados mostram a urgência de repensar as relações transatlânticas e a segurança do continente europeu em um contexto de mudanças significativas no panorama global.




