Wellington Dias (PI) — O ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, defendeu a necessidade de uma maior aproximação entre o ex-presidente Lula e o centro político para as eleições presidenciais e um possível quarto mandato. Em entrevista ao jornal O Globo, Dias citou a importância de construir alianças estaduais para garantir a governabilidade, mirando uma maioria simples na Câmara e no Senado.

Segundo o ministro, a campanha de Lula deve investir em uma articulação política mais ampla, com o objetivo de fortalecer a base de apoio e corrigir falhas na relação com aliados. Ele destacou a necessidade de ter mais de um palanque em diferentes estados, levando em consideração as especificidades das alianças políticas em cada região.

Como a estratégia eleitoral deve ser construída?

Dias enfatizou a importância de compor com aqueles que têm compromisso com o projeto liderado por Lula, evitando tentativas de organização partidária apenas a partir da cúpula nacional. O ministro destacou a necessidade de contar com palanques estaduais mais próximos do centro político para consolidar uma base de apoio sólida.

Ele citou exemplos de estados onde líderes de esquerda são apoiados por lideranças de centro e vice-versa, ressaltando a importância de encontrar um equilíbrio nas alianças políticas. Dias apontou a montagem de palanques em lugares como Maranhão, Paraíba e Pernambuco como exemplos dessa estratégia.

Qual o principal erro político apontado por Dias?

Wellington Dias destacou como principal erro político do atual mandato a tentativa de buscar uma base de dois terços no Congresso, algo considerado inviável. Ele ressaltou que o foco deveria ter sido na formação de uma maioria simples, suficiente para aprovar a maior parte das matérias em tramitação.

O ministro enfatizou que a obsessão por uma maioria qualificada prejudicou a consolidação da base potencial de Lula, resultando em um número menor de apoio do que o necessário para facilitar a aprovação de pautas importantes. Ele destacou a importância de uma articulação mais efetiva nos estados para garantir o apoio necessário no Congresso.

Como Dias avalia a relação com Davi Alcolumbre e o STF?

Na entrevista, Wellington Dias defendeu a prerrogativa de Lula de reenviar o nome de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal, apesar do distanciamento político entre o presidente e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. O ministro ressaltou a importância do diálogo para alcançar os votos necessários e destacou a possibilidade de uma reaproximação entre Lula e Alcolumbre.

Dias reconheceu que houve momentos de tensão entre as partes, mas destacou a importância de manter o diálogo para a retomada das relações políticas. Ele destacou o papel relevante de Alcolumbre na política do Amapá e a importância de contar com seu apoio para avançar em pautas estratégicas.

Qual a visão de Dias sobre a estratégia de combate ao crime organizado?

O ministro também comentou a decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas, uma medida que o governo brasileiro tentava evitar. Dias associou a decisão à viagem de Flávio Bolsonaro aos EUA para se reunir com Trump, destacando as consequências negativas da medida para o Brasil.

Dias defendeu a atuação do governo Lula no enfrentamento ao crime organizado, destacando a importância de atingir as estruturas financeiras dessas organizações. Ele ressaltou o trabalho conjunto entre o Brasil e os EUA nesse sentido e destacou a importância de seguir o caminho do dinheiro para combater essas organizações.

Qual a posição de Dias sobre o Bolsa Família?

Questionado sobre a possibilidade de aumento do valor do Bolsa Família, o ministro afirmou que uma eventual mudança não será decidida em 2026 e que o tema será discutido no Orçamento de 2027. Ele destacou que não há motivos para uma alteração imediata no benefício e que a discussão deverá ocorrer após as eleições, de forma técnica e fora do debate eleitoral.

Dias ressaltou que a definição dos rumos do programa social será uma decisão do presidente Lula e destacou a importância de manter a estabilidade do benefício enquanto avaliações mais detalhadas são feitas. Ele enfatizou que a discussão sobre o Bolsa Família acontecerá em um momento oportuno, levando em consideração as condições financeiras e políticas do país.