Foi um choque. A gente recebe a notícia com nojo’, diz tripulante que trabalhou com piloto de Guararema preso por abuso sexual infantil
Sérgio Antônio Lopes, de 60 anos foi preso na segunda-feira (9) em Congonhas,
suspeito de comandar esquema de exploração sexual infantil. A Polícia Civil realizou busca e apreensão em Guararema. A declaração é de um tripulante que já trabalhou com o piloto de Guararema, Sérgio Antônio Lopes, de 60 anos, suspeito de chefiar uma rede de abuso sexual infantil.
Sérgio foi preso temporariamente na manhã desta segunda-feira (9) enquanto ele estava trabalhando em um voo da Latam no Aeroporto de Congonhas, na Zona Sul de São Paulo. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP), ele será encaminhado para a audiência de custódia nesta terça-feira (10).
Ao DE, o ex-colega, que preferiu não se identificar, contou como reagiu ao saber da prisão pela televisão. Segundo ele, que conviveu profissionalmente por muito tempo com o piloto, a imagem que Sérgio passava no ambiente de trabalho era completamente oposta à do crime investigado pela polícia.
“A gente sempre imagina que uma pessoa como essa esteja longe. Você olha e não percebe que a pessoa é capaz de cometer um crime hediondo e da pior forma, com crianças. Ele tratava todos com educação. A gente não imagina que o abusador tenha essas características, mas acontece muito”, comentou.
Para o ex-colega do piloto, o caso serve de alerta para a importância da
vigilância constante com as crianças. “A gente precisa estar mais alerta com esse tipo de situação também, estar sempre vigilante com as crianças, porque não é de hoje que falamos que o perigo está sempre perto. A gente quer sempre acreditar que pessoas são boas, mas não são. Precisamos cuidar, denunciar e agir”, reiterou.
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) estabelece que zelar e proteger
crianças e adolescentes é dever de todos. De acordo com o artigo 4º, a
responsabilidade é compartilhada entre a família, a comunidade, a sociedade em
geral e o poder público, que devem assegurar, com absoluta prioridade, direitos
fundamentais como vida, saúde, educação, dignidade e convivência familiar, além
de protegê-los de qualquer forma de negligência, violência, exploração ou
discriminação.
Segundo a investigação da Polícia Civil, que durou cerca de três meses, o
suspeito levava crianças e adolescentes a motéis utilizando documentos de
identidade falsos, onde cometia os abusos. A polícia apurou ainda que Sérgio recebia imagens das vítimas enviadas por mães, avós ou outros responsáveis por meio do WhatsApp, em troca de dinheiro. Além do piloto, a avó de três vítimas foi presa temporariamente. Já a mãe de outra criança foi detida em flagrante por armazenamento e compartilhamento de material de exploração sexual infantil.
Em entrevista coletiva, a delegada Ivalda Aleixo, chefe do Departamento Estadual
de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), explicou que a prisão foi realizada
no aeroporto devido à dificuldade de localizar o suspeito em casa. “Ele tem uma residência em Guararema. Não conseguíamos saber quando ele estava voando ou não. Optamos por pedir a escala para a empresa e identificamos que ele faria um voo hoje. Quando chegamos no aeroporto por volta das 5h30, ele já estava lá. Quando começaram a fazer a chamada do voo, nós fomos perguntar e ele já estava no avião. Era uma forma de tentar localizá-lo”, contou a delegada.
Ivalda relatou ainda que a esposa do piloto, que é psicóloga, ficou horrorizada
ao tomar conhecimento dos crimes. O casal havia retornado recentemente de uma
viagem de lua de mel.
Segundo a polícia, o piloto inicialmente se aproximava da mãe, avó ou
responsável legal pela criança ou adolescente. Em seguida, deixava claro que o
interesse era na vítima e fazia a proposta. “Cada imagem recebida gerava pagamentos via Pix, geralmente de R$ 30, R$ 50 ou R$ 100. Em alguns casos, ele comprava medicamentos, pagava aluguel e houve até a compra de uma televisão”, disse a delegada. Até o momento, a Polícia Civil identificou dez vítimas no estado de São Paulo, mas o número pode ser muito maior. De acordo com os investigadores, o celular apreendido com o suspeito contém imagens que indicam vítimas de outros estados. A polícia também apura com quem o material era compartilhado. “Além do consumo pessoal, há fortes indícios de que ele distribuía esse conteúdo para outras pessoas”, afirmou Ivalda.
A operação deflagrada nesta segunda, batizada de Apertem os Cintos, investiga,
entre outros crimes, estupro de vulnerável, favorecimento da prostituição e
exploração sexual de criança e adolescente. A operação cumpriu oito mandados de busca e apreensão contra quatro investigados na capital paulista e na cidade de Guararema, na Região Metropolitana, onde o piloto mora.
Segundo a polícia, “as provas colhidas até o momento mostram que os crimes
investigados integram uma estrutura organizada de exploração sexual infantil,
com indícios de habitualidade, divisão de funções e atuação coordenada entre os
envolvidos”.
Em nota, a Latam Airlines Brasil informou “que abriu apuração interna e está à
disposição das autoridades para colaborar com as investigações”. A companhia disse ainda que “repudia veementemente qualquer ação criminosa e reforça que segue os mais elevados padrões de segurança e conduta”. Segundo a empresa, o voo LA3900 (São Paulo/Congonhas–Rio de Janeiro/Santos
Dumont), que seria feito pelo piloto preso, operou normalmente, decolando e
pousando no horário previsto.




