Segundo relato de um dos convidados ao UOL, a conversa foi difícil. Foram três horas de uma reunião ‘muito tensa’ entre integrantes do PL de Goiás, que se dividiram em duas alas —os que defendiam a coligação com o grupo de Caiado e aqueles que preferem candidatura própria do partido, segundo a fonte. Senador baseia pré-candidatura em pesquisas internas. Na reunião, Morais apresentou dados que mostravam diferença de 5 pontos percentuais entre ele e o candidato do grupo de Caiado, o vice-governador Daniel Vilela (MDB). Pesquisa de intenção de votos do Instituto AtlasIntel divulgada em setembro, porém, aponta Vilela (42,3%) liderando e com vantagem de 25 pontos percentuais sobre Morais (16,5%), o segundo colocado. Correligionários cobram que senador ande por Goiás. Colegas de partido têm se incomodado com a pouca aparição de Morais nos noticiários locais e cobram uma maior movimentação política dele no estado. PL promoverá a ‘Rota 22’ em Goiás. Recentemente, o grupo goiano recebeu aval do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, para avançar com o projeto ‘Rota 22’ —uma série de viagens por municípios goianos, com objetivo de aproximar pré-candidatos do eleitor. A primeira ação prevista será em Caçu, município do sudoeste goiano, em 4 de dezembro. Negociação com Bolsonaro A aliança entre PL e União Brasil em Goiás será discutida entre Caiado e Bolsonaro. A palavra final sobre uma eventual candidatura do PL ao governo goiano será do ex-presidente. Bolsonaristas de Goiás esperavam que o assunto fosse decidido no dia 9 de dezembro. Nesse dia, Caiado tinha agenda marcada com o ex-presidente. O encontro, no entanto, ficou em suspenso com a prisão de Bolsonaro no último sábado (22), em Brasília. Integrantes do núcleo goiano do PL enxergam a reunião como ponto importante da articulação entre os dois grupos no estado. Caiado passou por procedimento no coração nesta semana. Após apresentar quadro de arritmia cardíaca, o governador foi submetido, na segunda-feira (24), a uma ablação por cateter para tratamento de fibrilação atrial no Hospital Vila Nova Star, em São Paulo. Ele recebeu alta na quarta-feira. Saúde não afeta perspectivas políticas do goiano. Segundo o grupo político de Caiado, a correção da arritmia cardíaca não afetará a movimentação política do governador. A avaliação é que o procedimento foi simples e realizado com sucesso. Apoio ao sucessor do MDB em Goiás. Caiado trabalha para que Vilela, seu vice, o suceda no governo estadual. A composição da chapa para disputar em 2026 ainda é indefinida. Até o momento, os nomes mais certos na ala caiadista são os de Vilela para governador e o da primeira-dama Gracinha Caiado para uma das vagas ao Senado. Peças em movimento Cúpula estadual do PL também vislumbra cenário de apoio aos caiadistas. Em Goiás, o interesse de Bolsonaro está mais voltado para as duas cadeiras em disputa ao Senado do que para o Palácio das Esmeraldas. Em nível nacional, o PL tem dito que pretende eleger 40 senadores no ano que vem. Gayer tem despontado como principal nome do PL de Goiás ao Senado. O deputado estaria tentando costurar aliança com o grupo caiadista —movimento que, na análise de um correligionário, potencializa as chances de ele ser eleito. Gayer seria lançado como um dos dois candidatos governistas, ao lado de Gracinha Caiado. Grupo de Caiado diz que pré-candidatura é para o PL não ficar de fora da negociação. A leitura do grupo governista é de que os bolsonaristas tentarão emplacar Gayer como candidato a senador na chapa de Vilela. Um integrante do grupo caiadista observa que, mesmo com um perfil combativo, Gayer não tem feito qualquer tipo de ataque recente ao governador.



