Plano Safra: Abimaq sugere R$ 21 bilhões para modernizar máquinas agrícolas, mas crédito rural preocupa

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Plano Safra: Abimaq sugere R$ 21 bilhões para modernizar máquinas agrícolas, mas
vê cenário crítico para obtenção de crédito rural

Valor do Moderfrota é 70% maior do que o concedido pelo governo federal no ciclo
24/25. Com taxa básica de juros elevada, produtores terão que buscar outras
modalidades para adquirir equipamentos, avalia presidente de câmara setorial.

Plantadeira em exposição na Agrishow, em Ribeirão Preto (SP) — Foto: Wolfgang
Pistori/de

Representantes do agronegócio que integram a Associação Brasileira da Indústria
de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) sugeriram ao governo federal uma destinação
de R$ 21 bilhões no Plano Safra 2025/2026 para o Programa de Modernização da
Frota de Tratores Agrícolas e Implementos Associados e Colheitadeiras
(Moderfrota).

O pedido foi feito em recente reunião com o Ministério da Agricultura em
Brasília (DF), segundo o presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos
Agrícolas da Abimaq (CSMIA), Pedro Estevão.

O valor, que também inclui subvenções para o médio produtor (Moderfrota
Pronamp), é 70% maior do que o concedido no ciclo 2024/2025, de R$ 12,3 bilhões.
A câmara setorial ainda sugeriu outros R$ 7 bilhões de crédito para o Programa
Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).

Segundo Estevão, os valores seriam ideais para um plano robusto, mas que
dificilmente irá se consolidar em função da elevada taxa de juros e das
limitações orçamentárias para o governo compensar essa diferença aos produtores
rurais.

Agrishow espera 800 expositores e mais de 200 mil visitantes em Ribeirão Preto, SP

O Moderfrota é um dos programas do Plano Safra, pacote do governo federal que
financia as atividades agropecuárias do país e que só deve ser anunciado no meio
do ano. Para o ciclo 2024/2025, foram destinados R$ 400,5 bilhões para a
agricultura empresarial, quase 10% a mais do que no ciclo anterior.

Devido a problemas na aprovação do orçamento federal, o pacote chegou a ser
suspenso pela União, mas foi retomado após uma medida provisória remanejar R$ 4
bilhões. Ainda assim, segundo Estevão, praticamente não há mais recursos
disponíveis, a não ser créditos remanescentes do Banco do Brasil.

“As baixas expectativas do setor com relação ao crédito rural têm como principal
elemento a elevação da Selic. Utilizada pelo governo para controlar a inflação,
a taxa básica de juros da economia está em 14,25% ao ano e encarece a obtenção
de crédito de produtores rurais para a aquisição de máquinas agrícolas.”

Por um lado, é incerto se o governo federal terá condições de destinar recursos
próprios para amenizar essa diferença na concessão das linhas do Plano Safra.
Por outro, os juros nos bancos privados tendem a chegar à casa dos 20% com a
taxa adicional que é cobrada – o spread bancário.

VENDAS ABAIXO DO POTENCIAL DE MERCADO

Nesse cenário, Estevão vê a necessidade de os produtores buscarem outras
modalidades para viabilizar seus investimentos.

“A gente ainda está abaixo do potencial de vendas do mercado, justamente em
função da taxa de juros. Você vai ter muito negócio com outros instrumentos que
não sejam financiamento. É venda à vista, venda a consórcio, outros instrumentos
que não sejam financiamento, que ficou muito caro.”

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