Plantas resistem ao concreto e enfeitam ‘aranha’ em Sorocaba: entenda como

Plantas resistem ao concreto e enfeitam ‘aranha’ em Sorocaba: entenda como

SOROCABA (SP) — Pequenas árvores brotaram no topo da estrutura de concreto conhecida como “Aranha do Vergueiro”, no Conjunto Hospitalar de Sorocaba (CHS), transformando a obra inacabada em um improvável jardim suspenso que reforça seu status de cartão postal da cidade. As plantas, de espécies ainda não identificadas, resistem ao material e se destacam no alto da construção de mais de 20 metros, formando uma espécie de cena inusitada que vem chamando a atenção de moradores e visitantes.

A estrutura, localizada em SOROCABA, possui quatro meios-círculos com parte côncava na base. Com o tempo, esses vãos acumulam matéria orgânica e poeira, criando condições para que sementes trazidas pelo vento e por pássaros germinem. Imagens feitas neste ano mostram que as plantas continuam firmes, compondo um contraste entre o concreto e a vegetação.

Resiliência da natureza no concreto

O biólogo e pesquisador da Universidade Paulista (Unip), Welber Senteio Smith, explicou como o fenômeno ocorre. “As sementes chegam pelo vento e fezes de pássaros, e encontram condições para germinar e crescer”, afirmou. Segundo ele, pela distância das imagens, não é possível identificar a espécie, mas são plantas comuns em áreas urbanas, que brotam em postes, muros e calçadas. Ele acredita que as árvores não devem ultrapassar o porte atual por falta de espaço e nutrientes no concreto.

Referência urbana e vazio subaproveitado

A arquiteta e professora Mônica Pinesso Cianfarani comentou que a “aranha” se tornou um ponto de referência na cidade devido ao seu porte, em uma região que até os anos 1990 era composta por edificações baixas. “Serve como localização no espaço urbano, principalmente para quem anda a pé”, disse. No entanto, ela alerta que o local não tem utilidade e se configura como um vazio urbano. “Poderia ser melhor aproveitado, seja para ampliação do hospital ou para uma função social, e não para especulação imobiliária”, completou.

O engenheiro urbanista Sérgio Gonzalez também defendeu um melhor uso da área. “Penso que deveria se fazer um levantamento de toda a área para saber a quem pertence e como usá-la. Está abandonada há muitos anos e acredito que serve para muita coisa.”

Quase 70 anos de uma obra inacabada

A estrutura foi projetada originalmente em 1959 para ser a base de um santuário dedicado a São Lucas, padroeiro dos médicos. O terreno pertence à Fundação São Paulo, mantenedora da PUC-SP. Na época, houve missa campal e foi colocada a pedra fundamental. O projeto previa uma torre de 86 metros, capacidade para mais de duas mil pessoas, refeitório e cozinha, além de mosaicos decorativos. As obras nunca foram concluídas, e a construção acabou apelidada de “Aranha do Vergueiro”, tornando-se um símbolo não planejado da cidade.

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