PM do Bope mata Herus em operação no Santo Amaro: o que muda a partir de agora

PM do Bope mata Herus em operação no Santo Amaro: o que muda a partir de agora

RIO DE JANEIRO (RJ) — Há exatamente um ano, o office-boy Herus Guimarães Mendes da Conceição, de 23 anos, foi morto a tiros de fuzil disparados por um sargento do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) durante uma operação no Morro Santo Amaro, na Zona Sul do Rio de Janeiro. O pai da vítima, o auxiliar de escritório Fernando Guimarães, afirma que até hoje nunca recebeu um pedido de desculpas por parte dos responsáveis e critica a impunidade dos envolvidos. “Meu filho foi morto, e o PM que fez isso continua livre. Não dá para entender”, desabafou.

Justiça torna sargento e tenente réus por homicídio qualificado

Em 4 de fevereiro deste ano, a Justiça do Rio aceitou denúncia do Ministério Público do Estado (MPRJ) e tornou réus por homicídio qualificado o 1º sargento Daniel Sousa da Silva e o 1º tenente Felippe Carlos de Souza Martins. De acordo com a denúncia, Daniel foi o único policial a efetuar disparos na ação, totalizando 13 tiros. Imagens de câmeras operacionais, segundo o MPRJ, mostram que Herus não esboçou reação agressiva e tentou se proteger, estando de costas ao ser atingido. O tenente Felippe, que comandava a equipe Alfa do Bope, foi denunciado por omissão penalmente relevante — ele manteve a operação mesmo sabendo da realização de uma festa junina no local, com grande concentração de moradores e crianças. Ambos respondem a processo na 2ª Vara Criminal do Rio e estão sujeitos a medidas cautelares, como suspensão do policiamento externo e proibição de contato com testemunhas.

Denúncias contra comandante e novas investigações

O coronel Aristheu de Goes Lopes, comandante do Bope à época da operação, foi exonerado após o caso, mas posteriormente nomeado para cargos administrativos. Em comunicado, a Polícia Militar informou que não há impedimento judicial para o exercício de suas funções e que o inquérito policial militar foi concluído e encaminhado ao Ministério Público Militar. Além disso, o tenente Felippe voltou a ser alvo do MPRJ em abril deste ano, junto com outros nove policiais, por violação de domicílio e descumprimento de missão durante uma operação no Complexo da Maré. Na ocasião, segundo a denúncia, os agentes entraram em 13 residências sem autorização ou ordem judicial, utilizando chave mestra ou arrombando portas, e chegaram a dormir e consumir alimentos nos imóveis. A PM informou que instaurou procedimento apuratório e que Felippe foi afastado das funções operacionais.

Família lida com sequelas e ainda aguarda julgamento

Um ano após a tragédia, Fernando Guimarães relata que a saúde da esposa piorou significativamente. “Ela tem o coração dilatado, os batimentos chegaram a 33 por minuto. A vida ficou muito mais difícil sem meu filho”, conta. O governo do estado se comprometeu a pagar indenizações por danos morais e uma pensão mensal ao filho de Herus, Theo, de 3 anos, até que ele complete a maioridade ou 24 anos se estiver matriculado no ensino superior. Até o momento, a Justiça ainda não definiu se os militares irão a júri popular nem há previsão de data para o julgamento. A defesa dos policiais não foi localizada pela reportagem.

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