Caso Transwolff e PCC: PM preso com R$ 1,2 milhão na mala diz que dinheiro é de
empresário em SP
Sargento aposentado Nereu Alves foi detido em 4 de fevereiro em operação da
Corregedoria da PM contra lavagem de dinheiro. Defesa alega que ele guardava
valor de empresário que não é investigado.
Operação da Corregedoria da PM prende policiais em SP
Operação da Corregedoria da PM prende policiais em SP
Um policial militar aposentado preso neste mês com quase R$ 1,2 milhão em uma
mala durante operação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) que apura lavagem
de dinheiro entre a Transwolff e o Primeiro Comando da Capital (PCC) alega que o
valor pertencia a um empresário para o qual fazia segurança e não teria ligação
com o caso.
A confirmação foi feita nesta sexta-feira (27) ao DE pela defesa do sargento
aposentado Nereu Aparecido Alves, que já atuou nas Rondas Ostensivas Tobias de
Aguiar (Rota), tropa de elite da Polícia Militar (PM). O nome do empresário não
foi informado.
Nereu foi um dos três policiais presos em 4 de fevereiro pela Corregedoria da PM
suspeitos de envolvimento com o suposto esquema ilegal entre a Transwolff e PCC.
O QUE DIZ O PM
Sargento Nereu Alves alega que R$ 1,2 milhão em mala são de empresário
que não teria ligação com a empresa de ônibus Transwolff — Foto:
Reprodução/Arquivo pessoal/Transwolff
Segundo o advogado Márcio Antonio Sousa Ferreira da Silva, seu cliente deu essa
versão no interrogatório feito pela Corregedoria.
O valor em dinheiro localizado com o sargento Nereu no dia de sua prisão não
possui qualquer vínculo com a Transwolff, tampouco era de sua propriedade.
Trata-se de quantia pertencente a um empresário para o qual o policial prestava
serviços há mais de um ano, fato que será devidamente demonstrado nos autos.
Ainda por meio do comunicado, a defesa de Nereu informou que seu cliente “é
completamente inocente da acusação”, e que o sargento, “após deixar a
corporação, em 2020, foi contratado para prestar serviço de segurança nas
instalações da empresa Transwolff.”
A advogado argumenta ainda na nota que “exigir que um policial aposentado
tivesse conhecimento prévio de algo que estava sendo investigado de forma
sigilosa pelos órgãos competentes é algo absolutamente desarrazoado”.
E acrescentou que “não há qualquer indício de que o sargento Nereu tenha
enriquecido ou obtido vantagem indevida. Ele não possui bens incompatíveis com
sua renda, não tem patrimônio oculto, não possui movimentações financeiras
suspeitas”.
Por meio de nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que “a
Corregedoria da Polícia Militar esclarece que o inquérito sobre o caso está em
andamento, sob segredo de Justiça”.
A Transwolff foi procurada pelo DE para comentar o assunto, mas não retornou o
contato até a última atualização deste reportagem.
OPERAÇÃO FIM DA LINHA
Operação Fim da Linha investiga se PCC usava empresas de ônibus para lavar
dinheiro do crime e investir em agências de automóveis de luxo
De acordo com a Folha de S. Paulo, Ricardo Barnabé é o empresário citado por
Nereu. O DE tenta contato com a defesa de Barnabé para comentar o assunto. Não
há confirmação se o empresário foi ouvido pela Corregedoria da PM e se pediu à
Justiça a restituição do dinheiro.
As prisões dos PMs ocorreram no contexto da Operação Fim da Linha, do Grupo de
Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MP, que apura, além
de lavagem de dinheiro, os crimes de fraude em licitações públicas e organização
criminosa. De acordo com os promotores, a Transwolff agia para favorecer o PCC.
Os três policiais estão detidos temporariamente por decisão da Justiça Militar,
no presídio Romão Gomes, na Zona Norte de São Paulo. De acordo com a
investigação, eles fizeram segurança privada entre 2020 e 2024 para o dono da
Transwolff, Luiz Carlos Efigênio Pacheco, o Pandora, e para Cícero de Oliveira,
o Té. Pandora está preso, e Té responde solto pelos crimes.
Nereu foi pego pela Corregedoria da PM com R$ 1.180.000 quando estava num imóvel
em Bauru, no interior. Para a Promotoria, ele prestava segurança a dirigentes da
Transwolff e participava do esquema criminoso que beneficiaria o PCC.
A Operação Fim da Linha, desencadeada em 2024, indica que o aumento de capital
da empresa poderia ter origem ilícita. O esquema incluiria “laranjas” e “CNPJs
fantasmas” para ocultar a origem dos recursos. O advogado da empresa sempre negou vínculo com o crime organizado.
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Esquema entre empresas de ônibus suspeitas e o PCC em São Paulo — Foto:
Arte/g1, com informações da Receita Federal




