Polícia invadiu casa de agricultor morto por PMs no RS sem ordem judicial,
afirma corregedoria; especialista critica abordagem
Comandante-geral da corporação admitiu ‘grande equívoco’ e os 18 policiais
envolvidos foram afastados. Viúva relata truculência e diz que confundiu agentes
com criminosos durante a abordagem.
Especialista critica abordagem de PMs do RS em ação que matou agricultor por
mal-entendido [https://s01.video.glbimg.com/x240/14261960.jpg]
Especialista critica abordagem de PMs do RS em ação que matou agricultor por
mal-entendido
A ação da Brigada Militar (BM) que resultou na morte do agricultor Marcos
Nörnberg [https://DEDEglobo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2026/01/16/o-que-se-sabe-e-o-que-falta-saber-sobre-mal-entendido-em-acao-da-pm-que-deixou-agricultor-morto-no-rs.ghtml],
de 48 anos, na zona rural de Pelotas [https://DEDEglobo.com/rs/rio-grande-do-sul/cidade/pelotas/], foi realizada sem
um mandado de busca e apreensão ou qualquer ordem judicial. A informação foi
confirmada pelo corregedor-geral da BM, Rodrigo Assis Brasil Ramos Aro, que
entendeu que a entrada na propriedade com base em uma “presunção de uma situação
de flagrância”.
“Já está claro que não havia mandado, o que havia então era uma presunção de
uma situação de flagrância, decorrente de uma situação que havia sido
constatada e flagrada no estado do Paraná”, afirma.
O comandante-geral da polícia militar gaúcha, coronel Cláudio Feoli, também
explicou o contexto preliminar que levou à ação na propriedade rural. Segundo
ele, dois membros de um grupo criminoso que era buscado em Pelotas foram presos
no Paraná e deram pistas sobre a localização dos outros suspeitos. A indicação,
porém, teria induzido os PMs ao erro.
A operação aconteceu somente quatro horas após a prisão dos suspeitos no Paraná.
Segundo o corregedor-geral, as informações continham dados precisos sobre a
residência e detalhes sobre o que acontecia naquele local. O comandante-geral
admitiu que houve um “grande equívoco” na ação.
“Não pode se dizer de outra forma, um grande equívoco ocorreu. Isso não é
julgamento preliminar, é uma constatação”, disse Feoli, durante evento de
divulgação dos dados de criminalidade de 2025, na quinta-feira.
Para o professor de Política Social e Direitos Humanos da Universidade Católica
de Pelotas (UCPel), Luiz Antônio Chies, a operação foi “apressada” e o desfecho,
“inadmissível”. Segundo ele, a fonte da informação exigia um trabalho de
inteligência mais criterioso antes de uma ação ostensiva.
“Foi feito de uma maneira muito apressada, querendo aproveitar talvez o calor
dos eventos e ter uma solução rápida”, analisou.
Chies também apontou falhas no protocolo de abordagem. “Deveria ser anunciado
que era a polícia. No contexto da zona rural de madrugada, tudo era possível
para aquele morador interpretar”, afirmou o especialista, que considera que a
situação não era de emergência a ponto de dispensar um mandado judicial ou o
envolvimento de outros órgãos, como a Polícia Civil.
Os 18 policiais militares envolvidos na ação foram afastados
[https://DEDEglobo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2026/01/16/afastamento-policiais-militares-morte-produtor-rural-pelotas.ghtml].
A Corregedoria-Geral da Corporação instaurou um Inquérito Policial Militar (IPM)
para apurar o caso. As armas utilizadas na ação foram apreendidas.
Comandante-geral da Brigada Militar, Cláudio Feoli — Foto: Reprodução/RBS
TV
Comandante-geral da Brigada Militar, Cláudio Feoli — Foto: Reprodução/RBS TV
Paralelamente, a Polícia Civil também abriu um inquérito. O delegado César
Nogueira afirmou que a Corporação não tinha conhecimento prévio da ação da BM e
classificou o número de policiais e viaturas como “incomum”. Testemunhas,
incluindo a viúva e familiares da vítima, serão ouvidas a partir de
segunda-feira (19).
“As informações foram passadas com riqueza de detalhes. De que teríamos cinco
indivíduos seriam ligados à facção que estariam fazendo a guarda deste local.
Com base nestas informações, se deu a abordagem. Se fez uma junção de guarnições
para que nós chegássemos com supremacia de força diante deste contexto, que foi
estabelecido por essa informação dada pelos dois delinquentes presos. A partir
daí, então, houve a aproximação na propriedade rural”, contextualizou.
A PM do Paraná informou que as informações que foram compartilhadas eram
“provenientes do serviço de inteligência da cidade de Guaíra, onde ocorreu a
abordagem de suspeitos oriundos do Rio Grande do Sul, competindo a cada
instituição o trato da informação e a operacionalização das ações de Polícia”.
Nörnberg foi sepultado na manhã desta sexta-feira (16)
[https://DEDEglobo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2026/01/16/corpo-de-produtor-rural-morto-por-policiais-militares-durante-acao-e-sepultado-em-pelotas.ghtml]
no Cemitério Ecumênico São Francisco de Paula, em Pelotas. Amigos e familiares
acompanharam a despedida. Em razão dos ferimentos, o velório ocorreu com caixão
fechado.
LEIA TAMBÉM:
* O que se sabe e o que falta saber o caso
[https://DEDEglobo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2026/01/16/o-que-se-sabe-e-o-que-falta-saber-sobre-mal-entendido-em-acao-da-pm-que-deixou-agricultor-morto-no-rs.ghtml]
* ‘Achei que eram bandidos’, diz viúva de produtor rural
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* ‘Não é imune a erros’, diz Eduardo Leite sobre ação da BM
[https://DEDEglobo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2026/01/15/rs-tem-uma-policia-bem-preparada-mas-nao-e-imune-a-erros-diz-eduardo-leite-sobre-produtor-rural-morto-durante-operacao-em-pelotas.ghtml]
ESPOSA ACHOU QUE ESTAVA DIANTE DE BANDIDOS
A viúva de Marcos, Raquel Nörnberg, achou que estava diante de bandidos
[https://DEDEglobo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2026/01/15/achei-que-eram-bandidos-diz-viuva-de-produtor-rural-morto-a-tiros-dentro-de-casa-durante-acao-da-bm-em-pelotas.ghtml],
em razão da truculência e do linguajar usado pelos policiais na abordagem.
“A gente achou que era bandido, a gente jamais imaginou que era polícia. Abriram
meu roupão, debocharam de mim, mandaram eu me ajoelhar em cima do lugar que
estava cheio de caco de vidro [estilhaçados após tiros atingirem uma janela].
Foi uma brutalidade. O tempo inteiro eu achei que eram bandidos”, conta.
Raquel afirmou que só percebeu que se tratava de uma ação policial ao ver os
uniformes, mas que a brutalidade a fez duvidar:
“NÃO consigo entender que a polícia faça uma ação dessas e trate pessoas do
bem como criminosas. É uma dor que tu não tem noção”.
‘Achei que eram bandidos’, diz viúva de produtor rural morto em ação da PM no RS
[https://s04.video.glbimg.com/x240/14256899.jpg]
‘Achei que eram bandidos’, diz viúva de produtor rural morto em ação da PM no RS
O CASO
O fato aconteceu na madrugada desta quinta (15). De acordo com a viúva, o casal
estava dormindo quando percebeu movimentação no pátio da propriedade, localizada
na Estrada da Cascata. Marcos teria saído para verificar e, em seguida, ela
ouviu gritos e disparos. O homem morreu no local.
A Polícia Civil confirma que se tratava de uma ação da Brigada Militar e que os
agentes estavam em busca de uma quadrilha da região. O caso é investigado pela
Delegacia de Homicídios de Pelotas.
“São homens e mulheres, são seres humanos que buscam sempre acertar. Nem
sempre, eventualmente, acertam, mas na maior parte das vezes acertam e tem
todo o nosso crédito”, completou o governador.
O governador Eduardo Leite se manifestou sobre o caso
[https://DEDEglobo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2026/01/15/rs-tem-uma-policia-bem-preparada-mas-nao-e-imune-a-erros-diz-eduardo-leite-sobre-produtor-rural-morto-durante-operacao-em-pelotas.ghtml],
pedindo “rigorosa apuração” da conduta. “O Rio Grande do Sul tem uma polícia bem
preparada, mas não é imune a erros. O importante é que haja sempre uma
corregedoria com força para fazer a investigação”, afirmou.
Agricultor é morto a tiros dentro de casa durante ação da PM do RS
[https://s03.video.glbimg.com/x240/14259118.jpg]
Agricultor é morto a tiros dentro de casa durante ação da PM do RS
O QUE DIZ A BM
A respeito da intervenção policial ocorrida na cidade de Pelotas, a Brigada
Militar esclarece que, na madrugada desta quinta-feira (15/01), ao realizar
buscas na área rural de Pelotas, após uma ocorrência de roubo a residência
registrada na terça-feira (13/01), onde um caseiro foi feito refém por 36 horas,
tendo três veículos e um reboque roubados, advém da seguinte dinâmica:
Na quarta-feira (14/01),na cidade de Guaíra no estado do Paraná, a polícia
militar local, prendeu dois suspeitos do roubo, residentes em Pelotas, com
idades de 20 e 21 anos, ambos com antecedentes por tráfico de drogas, roubo e
adulteração de veículo, os quais estariam envolvidos no grave crime e na posse
dos veículos roubados em Pelotas.
Em posse de informações recebidas da Polícia Militar do Paraná, a Brigada
Militar planejou uma operação no local onde haveriam outros indivíduos
envolvidos, com armas e veículos roubados. Durante a averiguação ao endereço os
policiais militares se depararam com um homem portando uma arma de fogo, o qual
não acolheu as ordens policiais, efetuando disparos contra a guarnição,
estabelecendo confronto em que resultou na vitimada fatalmente.
O local foi imediatamente isolado e preservado para os trabalhos da perícia
técnica. Com o indivíduo, foi apreendida uma arma de fogo, do tipo carabina
semiautomática, além de aproximadamente R$ 27 mil em dinheiro e uma pequena
quantia em dólar.
A Brigada Militar informa que a Corregedoria-Geral da Corporação instaurou
inquérito policial militar para apurar e esclarecer as circunstâncias do fato.
Produtor rural foi morto a tiros durante operação da BM em Pelotas —
Foto: Reprodução/RBS TV
Produtor rural foi morto a tiros durante operação da BM em Pelotas — Foto:
Reprodução/RBS TV
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