Contradições, vídeo e implicância: por que a polícia acredita que padrasto estuprou e matou enteada de 11 anos em Serrana, SP
Indiciado, Douglas Júnior Nogueira é apontado como único suspeito do crime contra Ana Alice Santos França. Polícia Civil pediu a prisão preventiva dele.
Polícia diz que padrasto matou enteada asfixiada com as mãos e travesseiro em Serrana [imagem]
Polícia diz que padrasto matou enteada asfixiada com as mãos e travesseiro em Serrana
Douglas Júnior Nogueira é apontado como único suspeito do estupro e da morte da enteada Ana Alice Santos França, de 11 anos, em Serrana (SP) em novembro de 2025. Preso desde a época do crime, Douglas foi indiciado pela Polícia Civil e pode ter a prisão preventiva decretada nos próximos dias. Ele nega envolvimento.
Nesta segunda-feira (12), o delegado responsável pelas investigações, Marcelo Melo de Lima Garcia, revelou uma série de provas obtidas durante as investigações que levaram a polícia a indiciar o padrasto.
O primeiro ponto abordado pelo delegado é em relação às contradições apresentadas pelo suspeito durante os dois depoimentos prestados por ele.
Segundo Garcia, parte dessas incoerências envolve um vídeo que Douglas gravou de Ana Alice após a morte dela.
> “Incoerências relacionadas ao horário em que ele teria visualizado a criança, teria gravado a criança naquela situação que ela se encontrava, ajoelhada e com o queixo apoiado em uma vestimenta, e não amarrado. Ele teria filmado essa cena, ao invés de prestar imediato socorro. São situações que exibem para nós um completo distanciamento emocional, uma frieza muito grande.”
Segundo Garcia, parte dessas incoerências envolve um vídeo que Douglas gravou de Ana Alice após a morte dela.
> “Incoerências relacionadas ao horário em que ele teria visualizado a criança, teria gravado a criança naquela situação que ela se encontrava, ajoelhada e com o queixo apoiado em uma vestimenta, e não amarrado. Ele teria filmado essa cena, ao invés de prestar imediato socorro. São situações que exibem para nós um completo distanciamento emocional, uma frieza muito grande.”
Outra questão citada pelo chefe das investigações é sobre uma implicância excessiva que padrasto e enteada tinham entre si, conforme foi apontado durante depoimentos de testemunhas.
> “Ele tinha uma implicância muito grande com a vítima, e a vítima revidava essa implicância. Mas com relação aos irmãos dela, ele tinha uma relação boa, amistosa. No que diz respeito à vítima, ele implicava com as vestes que ela trajava, com o cabelo dela, com o uso excessivo do celular por parte dela. Portanto, ele tinha implicâncias desmedidas e desproporcionais com relação a ela.”
Ainda de acordo com o delegado, a polícia acredita que Douglas matou Ana Alice asfixiada usando as mãos e um travesseiro.
“Nossa suspeita é de que tenha havido asfixia, uma vez que a vítima apresentava dois hematomas na região cervical, do pescoço. Esses hematomas chamaram a atenção. Probabilidade que tenha usado as mãos e é possível também que tenha se valido de um travesseiro para alcançar esse resultado, que foi a asfixia da vítima.”
As investigações apontaram, ainda, que pode ter havido fraude processual no crime, com a suspeita de alteração no posicionamento do corpo da menina após a morte.
“Nós suspeitamos também, de maneira bastante firme, de que tenha havido fraude processual, uma vez que ela foi encontrada em uma posição que, segundo apuramos, não seria suficiente para levar à morte dela”, completa.
Garcia já encaminhou ao Ministério Público o pedido de prisão preventiva de Douglas. A prisão temporária se encerra nesta terça-feira (13). A defesa do suspeito não foi localizada.
Ana Alice morreu em novembro de 2025 após dar entrada na Unidade de Emergência do Hospital das Clínicas (HC-UE) em Ribeirão Preto (SP). Os médicos acionaram a polícia após encontrar indícios de sêmen. Tanto as presenças de sêmen como de drogas ou veneno já tinham sido descartadas por laudos anteriores.




