BELO HORIZONTE (MG) — A Polícia Civil de Minas Gerais instaurou investigação sobre o desaparecimento de um bebê de 8 meses em Lagoa Santa, na Região Metropolitana da capital. O caso foi registrado no dia 27 de maio, depois que pessoas próximas à mãe acionaram a Polícia Militar após receberem mensagens dela informando que o filho havia morrido. A criança não foi localizada até o momento, e os pais, ouvidos e liberados, apresentaram versões contraditórias e divergentes sobre o que teria ocorrido.
Ao chegar à residência do casal, no bairro Shalimar, os militares encontraram o imóvel em estado de desordem, com lixo acumulado, garrafas de bebida alcoólica, objetos quebrados e pinos vazios de cocaína. Os pais admitiram ser usuários de drogas e apresentavam sinais de alteração de humor e dificuldade para organizar as ideias. A PM não localizou o bebê nem vestígios que confirmassem qualquer das versões narradas pelo casal.
Versões contraditórias da mãe sobre a morte do filho
De acordo com o boletim de ocorrência, a mãe da criança deu duas explicações distintas às pessoas que a procuraram. Em um primeiro relato, afirmou que o bebê teria morrido após uma agressão praticada por um credor de dívida. Em outro, disse que o companheiro teria agredido o menino. Posteriormente, já em depoimento à PM, ela apresentou novas histórias. A mulher alegou que passou a ser ameaçada por traficantes após colaborar com uma investigação policial sobre tráfico em Belo Horizonte e que, por isso, mudava constantemente de endereço, hospedando-se em imóveis alugados por aplicativos.
Ela contou ainda que uma conhecida identificada como Adriana passou a ajudar nos cuidados com a criança. Em uma das versões, a mãe disse que Adriana teria matado o bebê entre os dias 18 e 19 de novembro do ano passado, em Ipatinga, como represália pela colaboração prestada à polícia. Em outra versão, porém, relatou que o bebê dormia na mesma cama que o casal e, ao acordar, percebeu que a criança estava com os lábios roxos e sem sinais vitais. Nesse relato, Adriana teria pegado o menino e deixado o local sem informar o destino.
Versão do pai aponta erro de medicação e descarte do corpo
O pai da criança, em depoimento à Polícia Militar, afirmou que ele e a companheira conheceram Adriana, que se aproximou oferecendo ajuda nos cuidados com o bebê sob a alegação de que a mãe enfrentava depressão pós-parto. Segundo ele, a mulher passou a frequentar a residência e a oferecer drogas ao casal, o que teria levado ambos ao uso contínuo de entorpecentes. O homem também relatou ameaças após uma operação policial e disse que o casal se mudou para Ipatinga, levando Adriana para auxiliar nos cuidados.
De acordo com o depoimento, após um desentendimento entre a mãe e Adriana, os três dormiram em cômodos separados. O pai afirmou que a mãe costumava administrar clonazepam ao filho para fazê-lo dormir e que, naquela ocasião, teria exagerado na dosagem. Ao acordarem, o bebê estava com os lábios roxos e sem sinais vitais. Com medo das consequências, o casal entregou o corpo a Adriana, que o teria embrulhado e descartado em um rio próximo ao local onde estavam hospedados. A polícia, no entanto, não encontrou evidências que confirmassem essa versão.
Investigação segue em sigilo e pais foram liberados
A Polícia Civil informou, em nota, que o caso é apurado pela Delegacia de Lagoa Santa. Os envolvidos foram ouvidos, mas acabaram liberados porque não havia situação de flagrante. Durante as buscas no imóvel, os policiais encontraram documentos da criança, como certidão de nascimento e papéis de alta hospitalar, mas nenhum vestígio do bebê ou que corroborasse as narrativas apresentadas. A corporação afirma que os trabalhos têm como objetivo localizar a criança e esclarecer completamente os fatos, e que novas informações serão divulgadas apenas no decorrer das investigações.



