‘Linea Rubra’: entenda operação que bloqueou R$ 33 milhões e prendeu 5 no
interior de SP
O Ministério Público de São Paulo, por meio do Grupo de Atuação Especial de
Combate ao Crime Organizado (Gaeco), deflagrou nesta quarta-feira (11) a
Operação ‘Linea Rubra’, em conjunto com a Polícia Civil e apoio da Secretaria da Fazenda.
A ação mirou a logística, finanças e operações do Comando Vermelho na região de
Rio Claro e em outras cidades do interior de São Paulo. Pelo menos 5 pessoas foram presas e a
justiça bloqueou R$ 33,6 milhões em contas bancárias na operação.
O QUE MOTIVOU A OPERAÇÃO?
A operação foi desencadeada para desarticular a estrutura logística, financeira
e operacional do Comando Vermelho no interior paulista.
O grupo é apontado como responsável por tráfico de drogas e armas, lavagem de
dinheiro e homicídios. A atuação da facção ganhou força após disputas
territoriais com o PCC e a desarticulação de uma organização rival em 2023.
As investigações começaram a partir dos homicídios registrados com a disputa
entre facções.
QUEM É O PRINCIPAL ALVO?
O foco das investigações é Leonardo Felipe Panono Scupin Calixto, conhecido como
Bode. Ele é apontado como liderança da facção na região e está foragido,
supostamente escondido em comunidades do Rio de Janeiro.
Calixto é acusado de coordenar produção e distribuição de drogas em larga
escala, controlar finanças milionárias e autorizar execuções de rivais.
COMO FUNCIONAVA O ESQUEMA CRIMINOSO?
As investigações, que duraram 8 meses, apontam para uma operação
profissionalizada. O grupo utilizava “carros cofre” com fundos falsos para
transporte de ilícitos, empresas de fachada e laranjas para lavagem de dinheiro.
A movimentação financeira identificada ultrapassou R$ 1,19 milhão em menos de um
mês.
Para lavar capitais, eram usadas contas de pessoas físicas e jurídicas, como
construtoras e consultorias, além de contas de passagem abertas em nome de
terceiros. As transações eram feitas via PIX, TED e depósitos em dinheiro,
dificultando o rastreamento.
QUAIS MEDIDAS FORAM DECRETADAS PELA JUSTIÇA?
Foram expedidos 26 mandados de busca e apreensão em Ribeirão Preto,
Indaiatuba, e Rio Claro (SP). além de 19 mandados de prisão preventiva. Cinco já foram cumpridos e
outros seis alvos já estavam presos.
O impacto financeiro da operação inclui o sequestro de R$ 33,6 milhões em contas
bancárias, bloqueio de ativos de 35 CPFs e CNPJs, além do sequestro de 12
imóveis e 103 veículos, dos quais 26 foram apreendidos durante as diligências.
Entre os presos na Operação Linea Rubra está um empresário de Rio Claro, dono de
uma garagem de veículos. Ele foi localizado em uma casa dentro de um condomínio
de alto padrão.
QUAL FOI A ESTRUTURA DA OPERAÇÃO?
O cumprimento das medidas envolveu 120 policiais civis, três promotores de
Justiça, 41 viaturas, o Serviço Aerotático da Polícia Civil e quatro auditores
da Secretaria da Fazenda, que identificaram irregularidades fiscais em
estabelecimentos ligados ao grupo.
A denominação da operação Liena Rubra (Linha Vermelha, em português) simboliza o
marco institucional de impor um limite ao avanço territorial da organização
criminosa no Estado de São Paulo.




