Polícia apura se PM Gisele se matou ou foi vítima de crime
Alguns laudos da Política Técnico-Científica de São Paulo confirmaram que a policial
militar Gisele Alves não estava grávida e também não foi dopada, mas que havia
mais manchas de sangue espalhadas por outros cômodos do apartamento onde ela
morreu.
A Polícia Civil segue investigando se a soldado cometeu suicídio ou foi vítima
de feminicídio no último dia 18 de fevereiro. A agente da Polícia Militar (PM) foi encontrada
baleada com um tiro na cabeça no imóvel onde morava com o marido, o
tenente-coronel Geraldo Neto, no Brás, na região central.
Apesar da conclusão do laudo toxicológico, que não indicou o consumo de drogas
ou bebidas por Gisele, e da liberação de outros exames, o inquérito aguarda ainda
mais resultados complementares do Instituto Médico Legal (IML) e do Instituto de
Criminalística (IC). Eles devem esclarecer a dinâmica do disparo ocorrido há
quase um mês.
Reconstituição e depoimentos
Depois da morte de Gisele, o coronel afastou‑se do trabalho e participou da
reconstituição realizada por peritos do Instituto de Criminalística (IC) em 23
de fevereiro, no apartamento do casal.
A defesa de Geraldo requereu novo depoimento no 8º Distrito Policial (DP), no
Brás, após a juntada dos laudos pendentes. Seu advogado também indicará um
médico do esporte que atendeu o casal dias antes da morte para relatar a rotina
e planos do casal.
Na sexta‑feira (13), o ex‑marido de Gisele prestou depoimento no 8º DP. Segundo
o relato apresentado pelos representantes da família, ele descreveu a soldado
como alguém que não manifestava tendências suicidas. E informou que a filha que teve com Gisele, que morava com a mãe, deverá ficar sob sua guarda e dos avós maternos.
De suicídio a morte suspeita
Após questionamentos da família e surgimento de novos elementos, a Polícia Civil
reclassificou o caso como morte suspeita, e a Justiça remeteu a investigação à
Vara do Júri, por vislumbrar indícios de crime doloso contra a vida — categoria
que inclui feminicídio.
Os familiares apresentaram relatos de que Gisele vivia uma relação tóxica, com
Geraldo a ameaçando e perseguindo, a proibindo de ter liberdade, inclusive para
ir sozinha à academia.
Laudos já concluídos reforçaram as dúvidas sobre a versão inicial de suicídio.
O necroscópico apontou disparo encostado no lado direito da cabeça
e lesões no rosto e no pescoço compatíveis com pressão digital e marcas de unhas.
O residuográfico não detectou pólvora nas mãos de Gisele nem nas de Geraldo. E o
laudo de trajetória indica tiro de baixo para cima.
O que falta
Por decisão judicial, o corpo foi exumado para novos exames.
Entre os laudos pendentes no inquérito, seguem o laudo do local da morte, com
registros fotográficos da posição do corpo. Os peritos indicaram a existência de
marcas de sangue no banheiro, o que causa estranheza porque Gisele foi encontrada em outro cômodo. Resta saber
de quem é o sangue.
Paralelamente, a Polícia Militar instaurou um Inquérito Policial Militar (IPM)
após denúncias de ameaças, perseguição e instabilidade emocional
na relação, atribuídas ao tenente-coronel. As investigações prosseguem, e novas
diligências dependem da conclusão dos laudos pendentes.



