Polícia pede prisão de Ten-Coronel pela morte da PM Gisele Alves
A Polícia Técnico-Científica de São Paulo fez cerca de 24 laudos periciais em menos de um mês para ajudar a Polícia Civil a concluir que a policial militar Gisele Alves foi assassinada com um tiro na cabeça pelo marido, o tenente-coronel Geraldo Neto.
O crime ocorreu em 18 de fevereiro no apartamento do casal, no Brás, região central da capital. O caso completa um mês nesta quarta-feira (18).
O inquérito policial sobre a morte da soldado foi encerrado nesta terça-feira (17). O caso, que chegou a ser investigado como suicídio e depois morte suspeita, foi concluído como feminicídio (homicídio contra mulher por questões de gênero) e fraude processual (ter adulterado a cena do crime).
Investigação da polícia
Indícios que constam em dois laudos foram determinantes para o delegado pedir a prisão: Trajetória da bala que atingiu a cabeça e profundidade dos ferimentos encontrados. Com isso, o delegado concluiu que ela não se suicidiou.
O 8º Distrito Policial (DP), no Brás, indiciou o tenente-coronel Geraldo Neto pelos crimes e pediu à Justiça a prisão preventiva dele, com aval do Ministério Público de São Paulo. A Corregedoria da PM também pediu a prisão. Até a última atualização desta reportagem, o Poder Judiciário ainda não havia se manifestado sobre o pedido.
Laudos Periciais
Parte desse entendimento das autoridades que apuraram o caso se deve ao trabalho do Instituto de Criminalística (IC) e do Instituto Médico Legal (IML). Foram feitos laudos complementares e outros exames acabaram refeitos por diversos núcleos da perícia, totalizando 70 páginas com informações técnico-científicas.
São muitos laudos. Se o médico tivesse feito com mais critério, não iria gerar um laudo complementar. Então a pressa gera mais dúvida e vai se juntar no processo um número grande de laudos, disse ao g1 Roselle Soglio, advogada especialista em perícias criminais.
Exames e investigação
Resultados de exames, como o necroscópico, o da exumação do corpo e o toxicológico foram cruciais para a delegacia concluir que Geraldo matou Gisele por ciúmes e possessividade. O oficial tem 53 anos; Gisele tinha 32.
Muitos dos laudos foram refeitos a pedido da própria investigação porque havia dúvidas sobre as circunstâncias da morte da soldado. Diversos exames foram realizados, incluindo necroscópico, trajetória do tiro, exumação, toxicológico, residuográfico, de local de crime, sexológico, entre outros.
Depoimentos e posicionamento
A equipe de reportagem não conseguiu localizar a defesa do coronel para comentar o assunto. Em outras ocasiões, seu advogado alegou que o cliente era inocente. Geraldo havia dito que a esposa se matou com um disparo na cabeça depois que os dois discutiram e ele pediu o divórcio a ela.
A família da PM discordou da versão de suicídio apresentada por Geraldo e passou a desconfiar que ele pudesse ter matado Gisele. Parentes procuraram a delegacia e mostraram depoimentos, áudios e prints de mensagens que demonstraram que a soldado era vítima de um relacionamento abusivo por parte do coronel. Ele a perseguia e a proibia de usar vestidos, salto alto, batom, além de vetar que ela falasse com familiares e fosse sozinha à academia.



