Policial de folga que atirou em homem em bar de Curitiba se torna réu por homicídio qualificado
A polícia sugeriu o arquivamento do caso após chegar à conclusão de que o policial agiu em legítima defesa. No entanto, o Ministério Público ofereceu denúncia, que foi aceita pela Justiça. A confusão teve início por uma discussão sobre um copo de cerveja.
O policial Marcelo Mariano Pereira se tornou réu pelo assassinato do vendedor Antônio Carlos Antunes dentro do bar Barbaran, em Curitiba. Antônio foi atingido por um disparo no abdômen em setembro. Ele ficou internado em estado grave em um hospital da capital paranaense, mas morreu seis dias após ser baleado. Segundo a Polícia Civil do Paraná, a motivação foi uma discussão sobre um copo de cerveja.
O Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) aceitou integralmente, na segunda-feira (12), a denúncia oferecida pelo Ministério Público (MP-PR). Com isso, Marcelo Mariano Pereira passa a responder por homicídio qualificado por motivo fútil e emprego de arma de fogo de uso restrito, além de porte ilegal de arma de fogo de uso restrito, agravado pelo consumo de bebida alcoólica, que invalida a autorização de porte.
O DE procurou a defesa de Marcelo Mariano Pereira, que não respondeu até a última atualização desta reportagem. A advogada Carolina Mattar Assad, que representa os familiares da vítima, classificou o aceite da denúncia como um marco importante para o processo e afirmou que a família reafirma a esperança na Justiça.
No fim de dezembro, a Polícia Civil finalizou a investigação do caso e sugeriu o arquivamento após chegar à conclusão de que o policial, que estava de folga, agiu em legítima defesa e que o uso da arma foi justificado pelas circunstâncias. À polícia, Marcelo Mariano Pereira relatou que a discussão começou quando retirou um copo que estava sobre a pia para lavar as mãos. Ele afirmou que o vendedor não gostou e começou a agredi-lo. O policial disse que reagiu e disparou contra o homem.
O Ministério Público do Paraná denunciou o policial, considerando que ele agiu com dolo direto, com vontade livre e consciente, com inequívoco propósito homicida. O MP considerou ainda as qualificadoras de motivo fútil e emprego de arma de fogo de uso restrito. Além disso, solicitou o pagamento de R$ 50 mil aos familiares da vítima a fim de reparação pelos danos causados, a ser analisado em eventual condenação, conforme o TJPR.




