Policial morta com tiro na cabeça vivia relacionamento abusivo com tenente-coronel, revela mãe da vítima

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Policial morta com tiro na cabeça vivia relacionamento abusivo com tenente-coronel, diz mãe da vítima à polícia

Gisele Alves Santana foi encontrada com um tiro na cabeça em seu apartamento no Brás, no Centro de São Paulo, na quarta-feira (18). Ela deixa uma filha de sete anos.

A policial militar Gisele Alves Santana, encontrada morta com um tiro na cabeça em seu apartamento, vivia um relacionamento abusivo com o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, segundo a mãe da vítima. Eles eram casados desde 2024 e viviam em um apartamento no Brás, no Centro de São Paulo. Na manhã de quarta-feira (18), após sair do banheiro, o oficial encontrou a esposa, de 32 anos, caída no chão, com uma arma na mão e intenso sangramento. Gisele chegou a ser socorrida e levada ao Hospital das Clínicas, mas não resistiu. Ela trabalhava desde 2014 na corporação como soldado e deixa uma filha de 7 anos, de outro relacionamento.

O caso foi registrado como morte suspeita e suicídio, mas a Polícia Civil ainda apura as circunstâncias do disparo. Por enquanto, Geraldo não é considerado suspeito. A DE tenta localizar a defesa dele. Em depoimento na delegacia, a mãe da vítima afirmou que o relacionamento era extremamente conturbado e que o oficial seria abusivo e violento, impondo restrições ao comportamento da filha. Ela relatou que Gisele era proibida de usar batom, salto alto e perfume, além de ser cobrada pelo cumprimento rigoroso de tarefas domésticas. Disse ainda que, quando a policial mencionou a intenção de se separar, o tenente-coronel teria enviado pelo celular uma foto em que aparecia com uma arma apontada para a própria cabeça.

Na última sexta-feira (13), segundo a mãe, Gisele telefonou dizendo que não estava mais suportando a pressão e que queria se separar. Procurada, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que “diligências estão em andamento”. “A Polícia Civil esclarece que o caso foi inicialmente registrado como suicídio consumado no 8º DP (Brás). Posteriormente, foi incluída a natureza de morte suspeita para apurar as circunstâncias do óbito da vítima”, disse a pasta em nota.

De acordo com o boletim de ocorrência, o tenente-coronel afirmou que conheceu Gisele em 2021, por meio de uma amiga em comum e pela profissão. Em 2023, oficializaram o namoro e, no ano seguinte, se casaram. Ele disse que passou a arcar com as despesas da casa e a contribuir com a escola da filha da companheira. Segundo o relato, o relacionamento teria se tornado conturbado em 2025, quando ele começou a trabalhar no 49º Batalhão. O oficial afirmou ainda que teria sido alvo de denúncias anônimas na Corregedoria da PM, motivadas por vingança de colegas, e que teriam inventado um suposto relacionamento extraconjugal. O boato, segundo ele, chegou até Gisele e provocou crises de ciúmes. As discussões teriam se tornado frequentes, e o casal passou a dormir em quartos separados.

Na quarta-feira, por volta das 7h, ele disse que foi ao quarto da esposa propor a separação, pois “o relacionamento não estava mais funcionando”. Segundo o depoimento, Gisele teria se levantado exaltada, mandado que ele saísse e batido a porta. Em seguida, ele foi tomar banho. O tenente-coronel declarou que mantém a arma de fogo sobre o armário no quarto onde dorme. Cerca de um minuto após entrar no banho, ouviu um barulho que, a princípio, pensou ser de porta batendo. Ao sair do banheiro, afirmou ter encontrado Gisele caída no chão.

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