PONTA PORÃ (MS) — A cidade fronteiriça de Mato Grosso do Sul completa 114 anos neste mês de janeiro e, para celebrar a data, preparou uma programação que mescla apresentações culturais, música ao vivo e gastronomia, com forte valorização dos artistas locais. Mais do que um evento festivo, a cultura se consolidou como pilar da identidade municipal e instrumento de inclusão social, formação artística e geração de renda, especialmente na região que divide limites com Pedro Juan Caballero, no Paraguai.
A mistura de idiomas, tradições e costumes, presente no cotidiano da população, ganha os palcos e os projetos culturais gratuitos oferecidos pela administração municipal. Essas iniciativas atendem crianças, adolescentes, adultos e idosos, promovendo acesso democrático à arte em espaços como a antiga estação ferroviária e polos espalhados pelos bairros.
Depoimento de jovem músico ilustra impacto social dos projetos
Um dos exemplos desse trabalho é o estudante Gustavo Ariel, de 18 anos, que ingressou no programa de música aos 11 anos. Ele começou com aulas de flauta doce, passou pelo clarinete e hoje integra a banda como saxofonista tenor. Em declaração pública, ele destacou as mudanças pessoais proporcionadas pela música: “Eu me considerava uma pessoa muito tímida. A banda me ajudou a me comunicar melhor, a fazer amizades e a ganhar confiança”. Gustavo recordou ainda que, antes, admirava os alunos mais experientes fazendo solos e hoje ocupa esse lugar. “Antes eu via os alunos mais experientes fazendo solos e pensava como conseguiam. Hoje sou eu quem está nesse lugar”, afirmou.
Projetos culturais atendem mais de 1,2 mil pessoas na fronteira
Além das aulas de música, a cidade oferece oficinas de dança, artes plásticas e história. Atualmente, cerca de 330 alunos participam das atividades musicais, que iniciam com crianças de seis anos e se estendem à terceira idade. Segundo o coordenador Rafael Rodrigues, o objetivo é ampliar o acesso à cultura e manter apresentações ao longo do ano. “A gente atende desde a iniciação musical até pessoas da terceira idade. Em novembro realizamos um grande concerto que já faz parte do calendário cultural da cidade”, explicou. Considerando todos os projetos — cursos fixos e polos descentralizados —, aproximadamente 1,2 mil pessoas são beneficiadas. O diretor de Cultura, Éder Rubens, destacou que a integração entre secretarias permite ampliar o alcance das ações e atender diferentes faixas etárias em várias regiões da cidade.
Cultura movimenta economia local e impulsiona empreendedores
A formação artística também se converteu em fonte de renda para artesãos, músicos, produtores e empreendedores locais. A responsável pela pasta de Cultura, Raquel Quintino, informou que o município investe em políticas públicas de incentivo aos fazedores de cultura e prepara novos editais por meio da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB). Ela citou ainda a Feira Fronteira Criativa, que reúne mensalmente artesanato, gastronomia, música e outras manifestações culturais, atraindo moradores e turistas. “Ponta Porã respira cultura em suas várias expressões. Pela música, pela dança, pela gastronomia, pela literatura e pela convivência entre diferentes tradições da fronteira”, afirmou.
A programação de aniversário inclui neste sábado (18) uma festa na Praça Pedro Manvailler, das 17h às 23h, com praça de alimentação, chope, apresentações culturais, música ao vivo e expositores da economia criativa. Estão previstas apresentações do Grupo de Dança Studio Areadne, às 18h30, do Grupo Ipê de Serra, às 19h40, e encerramento com karaokê, às 21h40. No domingo (19), às 7h, ocorre a Corrida Homens do Fogo, no Parque dos Ervais, fechando a semana de celebrações. A expectativa é reunir moradores e visitantes em uma festa que valoriza a história, a cultura e a diversidade que marcam a identidade de Ponta Porã há mais de um século.





