População da Groenlândia teme influência dos EUA e rejeita investida de Trump

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A população da Groenlândia rejeita a investida de Trump e teme a influência dos EUA, gerando apreensão e reacendendo tensões no território autônomo ligado ao Reino da Dinamarca. As recentes declarações do presidente dos Estados Unidos provocaram preocupação entre os cerca de 56 mil habitantes da ilha, levando o primeiro-ministro groenlandês a recomendar a manutenção de kits de emergência abastecidos, com água potável, alimentos não perecíveis e até armas de caça com munição.

Opiniões contrárias à aquisição do território pelos EUA estão sendo destacadas, com críticas de especialistas como o climatologista Birger Poppel, da Universidade da Groenlândia, que alertou para possíveis choques de modelos sociais. A resistência local se manifesta contra a intenção de Trump de comprar a Groenlândia, relembrando a oferta de US$ 100 milhões feita em 2019, que foi amplamente rejeitada e comparada à compra do Alasca pelos Estados Unidos no século XIX.

A Groenlândia é um território sob soberania dinamarquesa e líderes políticos afirmam que não está à venda, embora Trump tenha sugerido a possibilidade de um referendo local para avaliar a aceitação da população. O interesse estratégico dos Estados Unidos na região aumenta em meio ao avanço do derretimento do gelo no Ártico, considerado crucial para a segurança nacional norte-americana, visto a localização estratégica e o potencial mineral da ilha.

O Ártico se torna um campo de disputa geopolítica entre potências como China, Rússia, Canadá, países da OTAN e os Estados Unidos, devido às rotas marítimas emergentes e as reservas minerais fundamentais para a economia global. A resistência da população local é influenciada por memórias históricas de colonização, relembrando séculos de exploração pela Dinamarca e imposição de práticas culturais estrangeiras.

A economia local depende consideravelmente de repasses do governo dinamarquês para manter serviços públicos como saúde e educação gratuitos, o que gera um debate sobre a independência total da Groenlândia. Enquanto quatro dos cinco partidos do Parlamento defendem a independência, a proposta de Trump é vista por muitos como um retrocesso colonial, substituindo um tutor histórico por outra influência percebida como ainda mais distante culturalmente.

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