“Me senti muito constrangido”, diz porteiro que denunciou ter sido chamado de
“negro sujo” por alunos de escola particular em Campinas
Ronei Ferraz procurou a Polícia Civil para denunciar o crime após alegar ser
alvo de ofensas de estudantes em dezembro de 2025. Ele também afirma ter sido
demitido da unidade.
“Negro sujo e macaco”: porteiro de colégio denuncia racismo de alunos em
Campinas
“A educação vem de berço e, naquele momento, eu me senti muito constrangido”. O
desabafo é de Rodnei Ferraz, ex-porteiro de uma escola particular de Campinas
(SP) que denunciou à Polícia Civil ter sido alvo de ofensas racistas feitas por alunos.
O caso ocorreu em dezembro de 2025, mas DE teve acesso ao boletim de
ocorrência na terça-feira (10). A vítima conta que foi xingada de “negro sujo”,
“macaco” e “sub-raça” por três adolescentes do ensino médio que estavam na
unidade para fazer provas de recuperação.
Rodnei afirma ainda que, após denunciar o fato à direção, acabou sendo
demitido. “É revoltante, porque você se sente frágil, e impotente com essa
situação ridícula que aconteceu comigo”, disse a vítima.
O caso foi registrado na delegacia e deve ser investigado. Colégio Objetivo foi
procurado para comentar o caso, mas não enviou um posicionamento até a
publicação. A reportagem será atualizada assim que a direção se manifestar.
Segundo o boletim de ocorrência, o caso aconteceu no dia 15, em uma unidade
localizada no distrito de Barão Geraldo. O trabalhador relatou que os estudantes
passaram a fazer barulho e a entrar repetidamente em um banheiro, quando ele
resolveu chamar a atenção.
“Estavam fazendo muita baderna, um entra e sai constante, e nisso eles
entraram num banheiro e dentro do banheiro começou uma gritaria, e eu chamando
a atenção. Mas aí ele chegou e falou: ‘eu pago o seu salário, você é um
sub-raça, um negro sujo e um macaco'”, disse.
Com 20 anos de experiência na área, ele estava na unidade há quatro meses. “Eu
dei um choque e chamei minha rendição para me render, para não ficar perto
dessas crianças, que eles chamam de criança, mas com 17, 16 anos, acho que já
tem uma visão”, disse.
O episódio ocorre em meio ao aumento de denúncias de racismo no estado. Dados do
Disque 100 apontam que São Paulo registrou 1.088 denúncias em 2025, alta de
20,2% em relação a 2024. Em Campinas, foram 26 registros no ano passado – pouco
mais de duas por mês.




