Orgulho nas urnas. Em Porto Alegre (RS) — A 29ª edição da Parada Livre está marcada para o próximo domingo (14), prometendo mais uma vez levar milhares de pessoas ao Parque Farroupilha, também conhecido como Redenção. O evento, que é uma das manifestações LGBTQIA+ mais antigas do Brasil, terá início às 12h e entrada gratuita para toda a população da capital e da Região Metropolitana.
O tema deste ano, “Nosso Orgulho na Urna”, foi escolhido para estimular a reflexão e mobilização política da comunidade LGBTQIA+ em um ano eleitoral decisivo em todo o país. A organização da parada, composta por mais de 15 entidades da sociedade civil, destaca que o ato vai além da celebração e foi pensado como instrumento de transformação social e enfrentamento à violência motivada pela intolerância, algo ainda recorrente em Porto Alegre.
Referência nacional, a Parada Livre de Porto Alegre foi reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do município em 2025, consolidando sua importância histórica e cultural para o Rio Grande do Sul. Segundo a organização, cerca de 40 atrações artísticas já estão confirmadas. A tradicional marcha pela diversidade acontece às 16h, quando milhares de pessoas percorrem o entorno do parque em clima de festa, luta e reivindicação.
Qual a motivação para abordar eleições na Parada Livre de Porto Alegre?
Segundo os coletivos que organizam a Parada, o objetivo central para o evento em Porto Alegre neste ano é pautar a participação ativa e consciente da população LGBTQIA+ no processo democrático. “O orgulho agora está na urna porque nossos direitos precisam ser mantidos e ampliados”, explica um dos representantes do grupo Nuances, tradicional defensor da livre expressão sexual no Rio Grande do Sul.
O tema deste ano surge, principalmente, como reação ao aumento de crimes motivados por LGBTfobia e à polarização vista nos debates públicos. Conforme dados do Ministério Público Federal, o estado do Rio Grande do Sul registrou, até maio deste ano, mais de 350 denúncias formais de violência contra pessoas LGBTQIA+, colocando a região entre as quatro mais afetadas do Brasil em termos proporcionais.
O que diz a programação da Parada Livre em Porto Alegre?
Com a expectativa de receber público recorde, a Parada Livre de Porto Alegre confirmou atrações para todos os gostos. A grade de shows privilegia a música LGBT+ gaúcha, com drag queens, DJs, coletivos de dança e bandas. Entre os destaques, nomes como Pampacats e o coletivo Amora prometem animar o palco. Além disso, o evento abrigará a Rua dos Direitos, espaço dedicado à cidadania e orientação jurídica, com estruturas montadas pela Defensoria Pública estadual, Secretaria Municipal de Saúde e Instituto Geral de Perícias.
Durante todo o domingo, o público poderá acessar serviços gratuitos, como orientação jurídica, acolhimento psicológico, informações sobre saúde e prevenção de doenças sexualmente transmissíveis. Segundo a Prefeitura de Porto Alegre, a organização foi aprimorada em relação aos anos anteriores, com mais pontos de apoio, sanitarização de banheiros químicos e reforço de policiamento preventivo para garantir a tranquilidade dos participantes.
A equipe de jornalismo do Diário do Estado apurou que as atrações culturais da edição de 2025 já superam os eventos das cidades vizinhas, como Canoas e Gravataí, o que reforça o papel de Porto Alegre como epicentro da luta LGBTQIA+ no Sul do país.
Quais organizações estão envolvidas com a Parada Livre em Porto Alegre?
O caráter plural da Parada Livre em Porto Alegre é garantido pela articulação de 15 entidades, entre ONGs, coletivos culturais e associações sindicais. Entre elas, destacam-se Nuances, Outro Visão, ONG Somos e Mães pela Diversidade. Todas atuam na linha de frente de direitos humanos no estado e estão à frente das pautas de enfrentamento à violência contra minorias.
Cada organização ficará responsável por tendas e serviços específicos voltados para orientações sobre nome social, retificação de documentos, denúncias de discriminação, além de realizar campanhas educativas ao longo do evento. De acordo com informações da Secretaria de Direitos Humanos do RS, serão disponibilizados também pontos de hidratação e espaços seguros para quem precisar de atendimento emergencial.
Para a redação do Diário do Estado, este caso evidencia não apenas a tradição de Porto Alegre em sediar manifestações em defesa dos direitos civis, mas também o desafio permanente de garantir a segurança e efetividade desses espaços em meio ao contexto eleitoral. A crescente participação da comunidade LGBTQIA+ em atos públicos ocorre em paralelo a debates acirrados no legislativo estadual sobre políticas de inclusão e diversidade.
Segundo o portal da transparência do estado, o orçamento destinado a políticas de diversidade aumentou 18% em relação ao ano passado, permitindo mais conforto e estrutura para grandes eventos como a Parada Livre, o que diferencia Porto Alegre de outras capitais do Sul, como Florianópolis e Curitiba.
Como funciona a segurança da Parada Livre de Porto Alegre?
Considerando o histórico de manifestações intensas, a Polícia Militar do Estado confirmou o envio de um contingente extra com agentes da Brigada Militar, além de câmeras de monitoramento instaladas em pontos estratégicos do Parque Farroupilha. Foram instaladas mais de 20 câmeras pelas ruas e avenidas do entorno, conforme detalhou o comando regional da BM em nota oficial. “O objetivo é garantir resposta rápida a qualquer tentativa de violência ou desordem”, afirma o tenente-coronel responsável pela operação nesta edição.
O Ministério Público do RS vai manter plantão especial para coibir práticas discriminatórias e agilizar denúncias de possíveis abusos durante o percurso da marcha, prevista para ter duração de até duas horas com apoio de agentes de trânsito para a interdição temporária de trechos das avenidas José Bonifácio e João Pessoa. Todas as forças de segurança atuarão em conjunto, com a presença de equipes da EPTC e SAMU, prontos para atendimento ágil se necessário.
O balanço dos últimos anos mostra que Porto Alegre, mesmo reconhecida pela vanguarda nas lutas por direitos civis, ainda enfrenta registros de discriminação e hostilidade contra a população LGBTQIA+. A presença ostensiva da polícia e a estrutura reforçada têm como propósito impedir que esse tipo de crime se repita, reforçando o compromisso das autoridades com a segurança de todos os participantes.
A equipe do Diário do Estado esteve no Parque Farroupilha ao longo da montagem dos palcos e ouviu relatos de ativistas, comerciantes e funcionários da prefeitura sobre a expectativa de um evento histórico, marcado pela diversidade, respeito e celebração do orgulho em Porto Alegre. Novas informações serão divulgadas caso haja atualização nas medidas de segurança ou mudanças de programação determinada pela organização do evento.



