Invasão da Groenlândia por Trump seria a carta de morte da OTAN, diz premiê espanhol
Pedro Sánchez defende que a Europa acelere a integração e avance na defesa comum sem depender da unanimidade dos 27 países
A primeira quinzena de janeiro foi marcada por eventos que causaram um impacto significativo no cenário político global, de acordo com Pedro Sánchez, primeiro-ministro da Espanha. Em uma entrevista ao jornal La Vanguardia, ele destacou as crises simultâneas e a escalada de tensões envolvendo vários países, como Ucrânia, Gaza, Venezuela e a Groenlândia.
Sánchez alertou que uma possível ação militar dos Estados Unidos na Groenlândia representaria “a carta de morte da OTAN”. Ele enfatizou a importância da coesão entre política interna e externa, ressaltando a gravidade das declarações públicas feitas sobre o assunto.
Além disso, o premiê espanhol relacionou uma potencial invasão à guerra na Europa Oriental, destacando o impacto simbólico e político que teria para Moscou. Segundo ele, uma investida nesse território pelos EUA poderia legitimar as tentativas de invasão da Ucrânia por parte de Vladímir Putin.
Para Sánchez, a segurança do Ártico deve ser debatida no âmbito da OTAN. No entanto, ele defendeu a necessidade de a União Europeia avançar rapidamente em direção a uma defesa comum. Segundo o premiê, a Europa deve progredir em seu processo de integração e estabelecer uma defesa verdadeiramente compartilhada.
No que diz respeito ao orçamento de defesa da Espanha, Sánchez mencionou o aumento dos gastos militares e a participação em iniciativas de financiamento conjunto. Ele também abordou a possibilidade de enviar tropas de dissuasão para o Leste Europeu, embora tenha evitado confirmar essa decisão até o momento.
Quanto às metas de gastos militares, Sánchez rejeitou a exigência de 5% do PIB, considerando-a inaceitável para a Espanha. Ele destacou a importância de não comprometer áreas como saúde, educação e ciência em prol do aumento dos gastos militares, e defendeu um investimento ligeiramente acima de 2% como suficiente.
Por fim, o premiê abordou a posição da Espanha em relação a questões internacionais, como Venezuela, China e outros temas. Ele ressaltou a importância de manter uma postura firme no cenário global, ao mesmo tempo em que busca estabelecer relações pragmáticas com diversos atores internacionais. Sánchez reforçou a ideia de que a Europa precisa agir com rapidez e assertividade diante dos desafios atuais.




