Preço do petróleo dispara mais de 18% e supera US$ 109 com guerra no Oriente Médio

Bombas de petróleo na Rússia

O preço do petróleo disparava mais de 16% no começo da noite deste domingo (8) superando os US$ 110 com a escalada das hostilidades no Oriente Médio e o aumento da pressão sobre o transporte de petróleo e a infraestrutura. Às 21h58, o Brent subia 18%, a US$ 109, e o WTI saltava 20%, a US$ 109,58.

Os índices futuros de NY registravam perdas significativas: Dow Jones Futuro caia 1,85%; S&P500 Futuro cedia 1,77% e o Nasdaq Futuro perdia 2,05%. O DXY, índice do dólar, se valorizava 0,6%. O VIX (índice de volatilidade ou do “medo”) disparava 24,1%.

Os mercados de petróleo começaram a semana, portanto, sob expectativa de nova rodada de instabilidade, à medida que o conflito com o Irã chegava ao nono dia, em meio à redução de produção por grandes exportadores, capacidade de armazenamento perto do limite e fluxo de navios quase interrompido no Estreito de Ormuz.

“Já não se trata apenas de um fechamento direto do Estreito de Ormuz, mas de uma interrupção no abastecimento que começa a se espalhar por toda a região”, afirmou Dave Mazza, CEO da Roundhill Financial, segundo a Bloomberg. “Um movimento desse tipo pode levar investidores, que já estão nervosos, a diminuir ainda mais sua exposição ao risco.”

Na semana passada, uma forte onda de vendas atingiu diferentes regiões e classes de ativos, conforme a escalada das tensões geopolíticas aumentou a pressão sobre mercados que já vinham enfraquecidos por disrupções ligadas à inteligência artificial e por temores em relação a possíveis vulnerabilidades no crédito.

O agravamento da crise colocou os investidores diante de um dilema: de um lado, o risco de uma nova pressão inflacionária provocada pela alta do petróleo; de outro, sinais de desaceleração no mercado de trabalho dos Estados Unidos, que podem fortalecer a tese de afrouxamento monetário.

Durante a madrugada de domingo, o Irã intensificou os ataques contra seus vizinhos do Oriente Médio, enquanto Israel atingiu depósitos de combustível em Teerã e ameaçou a rede elétrica da República Islâmica.

O presidente Donald Trump alertou que os EUA considerariam atacar áreas que não haviam sido alvos anteriormente. Os ataques continuarão “até que eles se rendam ou, mais provavelmente, entrem em colapso total!”, afirmou ele, em uma publicação nas redes sociais.

O Kuwait, quinto maior produtor da Opep, informou no sábado que adotou reduções preventivas em sua produção de petróleo e também na capacidade de refino, citando “ameaças iranianas à navegação segura de embarcações pelo Estreito de Ormuz”. A Kuwait Petroleum Corporation, estatal do país, não apresentou detalhes sobre a dimensão desses cortes.

No Iraque, segundo maior produtor do cartel, a produção entrou em forte deterioração. De acordo com três fontes do setor ouvidas pela Reuters neste domingo, a extração nos três principais campos petrolíferos do sul do país recuou 70%, para 1,3 milhão de barris por dia. Antes da guerra com o Irã, essas áreas produziam 4,3 milhões de barris diários.

Já os Emirados Árabes Unidos, terceiro maior produtor da Opep, disseram no sábado que vêm “administrando com cautela os níveis de produção offshore para atender às demandas de armazenamento”. A ADNOC, companhia nacional de petróleo de Abu Dhabi, afirmou que suas operações em terra seguem sem alterações.

Neste começo de semana. a guerra segue sem indicação de um enfraquecimento claro, mesmo após o presidente Donald Trump afirmar que o conflito já estava “vencido”. Segundo relatos, o Irã nomeou Mojtaba, filho do aiatolá Ali Khamenei, como novo líder supremo do país. Khamenei foi morto por Estados Unidos e Israel nos primeiros dias da guerra.

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