Tratado como anfitrião, Nunes vai discursar em ato bolsonarista em SP
O prefeito Ricardo Nunes (MDB) participará novamente de um ato com Jair
Bolsonaro na Avenida Paulista, mas dessa vez, deve discursar
São Paulo – Pela primeira vez, o prefeito da capital, Ricardo Nunes
(de), (MDB), deve discursar em um ato
bolsonarista, na manifestação pela anistia aos condenados pelos atentados do 8
de Janeiro em Brasília, convocada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para
este domingo (6/4), na Avenida Paulista.
A participação do prefeito paulistano em manifestações bolsonaristas em São
Paulo não é inédita, mas ele nunca havia usado o microfone para falar com os
manifestantes. Ao De, o prefeito disse que não tinha a pretensão de
fazer uma fala, mas não deve recusar o convite dos organizadores.
Em 25 de fevereiro de 2024, após uma discussão entre integrantes da pré-campanha
de Nunes se ele deveria participar do ato bolsonarista ou não, o prefeito
decidiu marcar presença na Paulista. O mesmo ocorreu no 7 de setembro do ano passado, quando o então candidato à
reeleição fez uma aparição rápida, subiu no carro de som, tirou foto com o
deputado Eduardo Bolsonaro, mas não fez o uso da palavra – o que levou o seu principal adversário nas
eleições municipais, Guilherme Boulos (Psol), o apelidar de “bolsonarista
envergonhado”.
Agora, segundo o pastor Silas Malafaia, figura central na organização do evento,
Nunes não irá como candidato, mas como “anfitrião”, e por isso, irá discursar.
“Na outra manifestação, ele era candidato e não podia falar. Agora, ele é o
prefeito da cidade. O cara é o
anfitrião, que dá a licença, bota a guarda
municipal e tudo. Então, ele vai ter lá os 3 minutinhos dele”, explicou Malafaia.
Nunes será o sexto a discursar na Paulista, após o senador Rogério Marinho
(PL-RN) e antes da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF), que tem sido uma
das principais agitadoras do evento após faltar ao ato em Copacabana no mês
passado.
DE APOIO TÍMIDO A PROXIMIDADE
Durante a campanha eleitoral do ano passado, Bolsonaro teve uma postura errática
em relação ao apoio a Ricardo Nunes. Em parte, o prefeito de São Paulo tentou
criar uma imagem ao centro com temor de perder votos na capital paulista, onde
Lula venceu as eleições em 2022. A estratégia, inclusive, foi desenvolvida por
Duda Lima, o mesmo marqueteiro responsável pelas duas últimas campanhas de
Bolsonaro.
Foi justamente no último ato da avenida Paulista, em setembro do ano passado,
que os discursos começaram a ficar mais alinhados. Na véspera da manifestação,
Bolsonaro disse que iria “entrar de cabeça” nas eleições paulistanas e disse,
que ainda não havia se engajado na campanha “porque antes havia uma dúvida se eu
entrando de cabeça, poderia atrapalhar”. As afirmações foram feitas em
entrevista para o UOL, em que o ex-presidente chamou o terceiro colocado nas
eleições, Pablo Marçal (PRTB) como um “amor de verão”.
No dia do evento, a contrariedade contra Marçal se confirmou. O ex-presidente
ficou bastante irritado com a atitude do então candidato, que chegou quando a
manifestação já estava em andamento e fez confusão ao alegar, nas redes sociais,
que foi barrado do palanque montado para Bolsonaro na Paulista.
Apesar do apoio tímido, Bolsonaro chegou a participar da campanha de Nunes,
indicou o vice-prefeito, o coronel Ricardo de Mello Araújo (PL) e se encontrou
com o emedebista em almoços, quando visitava a capital paulista. De olho nos
eleitores bolsonaristas em 2026, Nunes também se aproximou do discurso do
ex-presidente.