Prefeitura de Ribeirão Preto cobra empresa responsável por obras na Avenida Nove
de Julho e estuda acionar a Justiça, diz secretário
Dez meses após a entrega do serviço, a via voltou a registrar problemas com
paralelepípedos soltos e passou a ser alvo de reclamações de motoristas. A chuva
registrada na sexta-feira (2) provocou alagamentos em trechos recém inaugurados.
Avenida Nove de Julho, em Ribeirão Preto, gera transtornos a moradores
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Avenida Nove de Julho, em Ribeirão Preto, gera transtornos a moradores
O secretário de Obras de Ribeirão Preto, Walter Telli, disse nesta segunda-feira (5) que a prefeitura deve entrar com uma
ação na Justiça contra a empresa responsável pelas obras de revitalização da
Avenida Nove de Julho.
Dez meses após a entrega do serviço, a via voltou a registrar problemas com
paralelepípedos soltos e passou a ser alvo de reclamações de motoristas. A chuva registrada na tarde de sexta-feira (2) provocou alagamentos em trechos
recém-inaugurados.
“É o que nos resta [acionar a empresa na Justiça]. Nós tentamos desde o começo
uma solução consensual, mas tem sido bastante difícil as tratativas com a
empresa que executou a obra”.
A EPTV, afiliada da TV Globo, procurou a Era-Técnica Engenharia Construções e
Serviços Ltda., empresa responsável pela obra, mas não obteve retorno até a
publicação desta reportagem.
Paralelepípedos na Avenida Nove de Julho, em Ribeirão Preto (SP), estão
se soltando — Foto: Reprodução/EPTV
Paralelepípedos na Avenida Nove de Julho, em Ribeirão Preto (SP), estão se
soltando — Foto: Reprodução/EPTV
Segundo o secretário, a prefeitura já tinha conhecimento do problema e vinha
cobrando a empresa por uma solução, mas ele afirma que nada foi feito.
“Algumas pedras vem se soltando e isso não é comum, não deveria ocorrer, mas
infelizmente as equipes de colocadores de pedras não respeitaram a distância
máxima entre uma pedra e outra. Algumas pedras estão mais distantes do que o
exigido do projeto. Nós temos cobrado a empresa para refazer esse trecho,
principalmente entre a [rua] Marcondes Salgado e a [avenida] Independência, que
a gente observa isso com mais frequência. Se a empresa não tomar uma providência
já agora, no início do ano, a prefeitura vai tomar todas as providências
cabíveis administrativamente e judicialmente.
Avenida Nove de Julho é liberada em Ribeirão Preto após um ano e nove meses
de obras
Paralelepípedos se soltam e Avenida Nove de Julho volta a ter problemas dez
meses após obra
Em um ponto específico da obra, no cruzamento das avenidas Nove de Julho e
Independência, é possível observar o desnível de até 30 centímetros entre
paralelepípedos e asfalto. Além disso, quando chove, a água não está escoando
devidamente.
“Infelizmente, uma série de pequenos problemas se somaram e a conjunção desses
problemas causou esse alagamento. Observamos, no início de junho, um forte
temporal que também causou esse mesmo problema e, desde aquela época, já sabemos
que a rede de drenagem aqui foi mal dimensionada, principalmente na área a
montante, que seria o Boulevard e o Sumaré. Toda aquela água que desce, chega
aqui e não encontra o escoamento adequado”, diz Telli.
Desnível na Avenida Nove de Julho, em Ribeirão Preto (SP), dificulta vida de
motoristas — Foto: Reprodução/EPTV
Desnível na Avenida Nove de Julho, em Ribeirão Preto (SP), dificulta vida de
motoristas — Foto: Reprodução/EPTV
A avenida foi liberada em março do ano passado, após um ano e nove meses de obras custaram R$ 32,4 milhões, cerca de R$ 1,4
milhão a mais do que o valor orçado inicialmente.
Com os novos problemas, a prefeitura informou que estuda a realização de novas
obras para melhorar o trecho.
“Estamos na fase de elaboração de um projeto de drenagem na Rua João Penteado
para tentar segurar e diminuir essa vazão toda que escorre aqui para a Nove de
Julho e vai descendo o Centro. Nós também vamos instalar algumas bocas de leão,
visto que as bocas de lobo que estão aqui na Nove de Julho têm um perfil muito
baixo e não são suficientes para escoar toda a água”, explica Telli.
FALHA ESTRUTURAL
À EPTV, o engenheiro Anderson Manzolli disse que os problemas apresentados
atualmente na Avenida Nove de Julho são falhas estruturais e devem ser de
responsabilidade da empresa que entregou o serviço.
“É uma situação de falha estrutural, não cabe à prefeitura fazer a correção,
porque está dentro do período de garantia. Cabe à prefeitura cobrar da empresa
que executou essa obra a correção estrutural desses trechos onde houve a falha.
Não é dos nossos bolsos que deveria sair essa correção e sim da empresa que
executou a obra”.
Segundo ele, a avenida, que já foi um dos principais cartões postais de Ribeirão
Preto, precisaria de mais planejamento para ser utilizada de maneira adequada.
“Ela acabou não atendendo as necessidades de ter um patrimônio histórico
preservado na sua originalidade e também não está sendo utilizado como um bom
corredor. Sabemos quão importante é ter um bom transporte público e não existem
outros lugares interessantes para se passar ônibus. Aqui continua sendo um eixo
importante, então precisa passar ônibus. E esse tipo de pavimento encontra um
pouco de dificuldade, porque o peso do ônibus faz com que [o paralelepípedo] não
dure muito”.
A Avenida Nove de Julho foi projetada na década de 1920 na gestão do prefeito
João Rodrigues Guião. Originalmente chamada Avenida Independência, foi
rebatizada em 1934 por causa da Revolução Constitucionalista.




