Presidente Lula alerta para risco de dominação na Cúpula de Inteligência Artificial na Índia

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DE alerta para risco de dominação na Cúpula sobre Inteligência Artificial na Índia

Presidente brasileiro afirma em Nova Déli que concentração de algoritmos e infraestrutura tecnológica amplia desigualdades e ameaça a democracia

19 de fevereiro de 2026, 05:50 hAtualizado em 19 de fevereiro de 2026, 06:18 h

O Presidente Lula partrcipa da cerimônia de abertura da Cúpula de Impacto de Inteligência Artificial na Índia (Foto: Ricardo Stuckert)
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247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou nesta quinta-feira (19), em Nova Déli, durante a Cúpula de Impacto de Inteligência Artificial organizada pelo governo da Índia, e fez um alerta sobre os riscos da concentração de poder nas mãos de poucas empresas e países no campo digital. Em sua fala, Lula defendeu uma governança global multilateral para a Inteligência Artificial e ressaltou que a tecnologia pode tanto impulsionar o desenvolvimento quanto aprofundar desigualdades históricas.

Segundo o discurso do presidente Lula, a humanidade vive uma “encruzilhada” em que a Quarta Revolução Industrial avança rapidamente enquanto o multilateralismo “recua perigosamente”. Para ele, essa combinação torna urgente a construção de regras internacionais para o uso da Inteligência Artificial, de forma inclusiva e voltada ao desenvolvimento.

Lula destacou que a Revolução Digital e a IA trazem ganhos expressivos para a produtividade industrial, os serviços públicos, a medicina e a segurança alimentar e energética, além de ampliar as formas de conexão entre pessoas. No entanto, advertiu que as mesmas ferramentas podem ser usadas para fins destrutivos, citando práticas como armas autônomas, discursos de ódio, desinformação, pornografia infantil, feminicídio, violência contra mulheres e meninas, além da precarização do trabalho.

O presidente também afirmou que conteúdos falsos gerados ou manipulados por Inteligência Artificial têm potencial para distorcer eleições e ameaçar a democracia. Para Lula, os algoritmos não podem ser vistos apenas como códigos matemáticos neutros, mas como parte de uma estrutura de poder que, sem ação coletiva, tende a reforçar desigualdades e a exploração econômica.

Um dos pontos centrais do pronunciamento foi a crítica à concentração de infraestrutura computacional e de dados em poucos conglomerados. Lula afirmou que informações produzidas por cidadãos, empresas e governos estariam sendo apropriadas sem retorno equivalente em geração de renda e valor nos territórios de origem.

Ao citar dados da União Internacional de Telecomunicações, o presidente lembrou que bilhões de pessoas ainda permanecem fora do universo digital e que, mesmo em 2030, centenas de milhões ainda poderão viver sem acesso à eletricidade. Nesse contexto, Lula fez uma das declarações mais fortes do discurso: “Quando poucos controlam os algoritmos e as infraestruturas digitais, não estamos falando de inovação, mas de dominação.”

Lula também relacionou a regulamentação das chamadas big techs à necessidade de proteger direitos humanos, assegurar a integridade da informação e defender as indústrias criativas. Segundo ele, o modelo de negócios dessas empresas estaria baseado na exploração de dados pessoais, na renúncia à privacidade e na monetização de conteúdos sensacionalistas que alimentam a radicalização política.

No campo interno, o presidente mencionou que o Congresso Nacional discute políticas de atração de investimentos em centros de dados e um marco regulatório para a Inteligência Artificial. Ele também citou o lançamento do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial em 2025, apresentado como estratégia para modernizar serviços públicos e estimular emprego e renda.

No cenário internacional, Lula destacou iniciativas em diferentes blocos e fóruns, como os BRICS, a Parceria Global em Inteligência Artificial surgida no G7 e a proposta chinesa de criação de uma Organização Internacional para Cooperação em IA voltada aos países em desenvolvimento. Apesar disso, defendeu que nenhum desses espaços substitui o papel universal das Nações Unidas na construção de uma governança global efetivamente multilateral.

O presidente também mencionou o Pacto Digital Global aprovado em 2024, em Nova York, e apontou a criação do Painel Científico Internacional Independente sobre Inteligência Artificial como um avanço relevante na consolidação de um organismo científico global para o tema.

Ao final, Lula elogiou a tradição intelectual e filosófica da Índia, afirmando que o país oferece referências importantes para enfrentar os dilemas éticos e sociais colocados pela Inteligência Artificial, especialmente em temas como justiça, diversidade, inclusão e resiliência.

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